sábado, 08/08/2020
Início Dupla Gre-Nal Jogadores Vira-Casaca: anos 80

Jogadores Vira-Casaca: anos 80

Uma das maiores transações da dupla Gre-Nal aconteceu nos anos 80. Mais especificamente em 1982, João Batista da Silva trocou o manto colorado pelo tricolor na virada da noite em Porto Alegre e chocou o estado. A década ainda contou com a troca de lado de Mario Sérgio e o famoso Gre-Nal das faixas posteriormente. Sem mais delongas, os jogadores vira-casaca dos anos 80.

Jésum

Jésum fez parte do elenco tricolor em 1979 e 1980 depois de se destacar no Bahia. Marcou sete gols antes de sair do sul para jogar no Cruzeiro. Cerca de um ano depois, uma novela se iniciou. “Pode não ter sido a mais demorada, mas foi, sem dúvida, a mais bagunçada transação das histórias de Internacional e Cruzeiro”. Esta foi a manchete da Revista Placar de 5 de junho de 1981, momento em que Jésum chegou ao colorado. Depois de José Asmuz rejeitar a proposta dos mineiros, o vice Pércio França – enquanto Asmuz estava na Europa – aceitou a segunda investida. Assim, o Príncipe Jajá, Cláudio Mineiro e Wágner foram emprestados ao Cruzeiro enquanto Jésum e Mauro chegaram ao sul pelo restante da temporada. Os jogadores tiveram que conviver com a fúria de José Azmuz e foram pouco utilizados.

Tonho Gil

Formado no Inter, Tonho Gil conviveu com grandes craques no clube e foi titular no elenco vice da Libertadores em 1980. Saiu de Porto Alegre para jogar no Operário de Campo Grande, mas logo voltou à capital gaúcha. Com a camisa tricolor, Tonho foi novamente vice, inclusive marcando gol na final do Brasileirão de 1982 em pleno Maracanã. Depois de bater na trave duas vezes, em 1983 foi coroado com a conquista da Libertadores e do Mundial. Chegou ainda à Seleção Brasileira Olímpica de 84 – a chamada Sele-Inter prata em Los Angeles.

Geraldão

O centroavante Geraldo teve uma passagem apagada pelo Grêmio e atuou em apenas oito partidas. O Inter foi rápido ao contratar o atleta que, assim como no rival, não teve um bom começo. Mas o Inter insistiu e Geraldão foi eleito o melhor jogador do Campeonato Gaúcho de 1982, marcando cinco gols nas duas finais justamente contra seu ex-clube. No ano seguinte, sagrou-se bicampeão.

Cantava a torcida colorada: “Gera, Gera, Geraldão… Foi pro Olimpico, a maior desilusão, mas chegou no Beira-Rio para ser o Campeão”.

Batista

João Batista da Silva profissionalizou-se no Inter em 1973 e tornou-se um dos maiores vencedores da história do clube. Tricampeão brasileiro e tetra do Gauchão, Batista entornou conquistas no Rio Grande do Sul e tornou-se o maior ídolo da equipe após a saída de Falcão em 1980. Em uma crescente, o volante já havia sido convocado para a Copa do Mundo de 1978 e, em sua última partida pelo Inter no Beira-Rio, teve uma das suas melhores atuações em uma goleada contra o Palmeiras.

Depois de uma aposta de José Asmuz com o jornalista Paulo Sant’Anna, o Inter levou o time titular para a partida contra o Sport e Batista quebrou a perna em uma falta brutal. O volante se recuperava aos poucos e, sem contrato, renegociava seu vínculo. Asmuz tentou barganhar, não acreditando na recuperação de Batista. Seu passe foi cedido à Federação Gaúcha e quem o adquiriu foi o Grêmio. O tricolor confiou no volante e a confiança deu certo. Bola de Prata e vice-campeão do Campeonato Brasileiro de 1982, foi convocado para a Copa e transferiu-se para o Palmeiras. Ainda passou por Lazio e clubes portugueses antes de se aposentar.

Capa da Zero Hora anunciou a chegada de Batista ao Grêmio em dezembro de 1981.

Mario Sérgio

Encrenqueiro, a contratação de Mario Sérgio foi bancada por Paulo Roberto Falcão. A confiança do volante deu certo e Mario Sérgio foi um dos líderes do tricampeonato brasileiro. Foi Bola de Prata em 80 e 81, ano em que deixou o Internacional para defender o São Paulo e a Ponte Preta.

Em 1983, novamente desacredito, chegou ao Grêmio. Nas palavras do técnico Valdir Espinosa: “Ninguém queria o Mário Sérgio no Grêmio. Eu que insisti. Eu reconhecia nele a sua qualidade extraordinária. Jogar contra alemão só com força não adianta. Tem que ter técnica para contrapor. Precisávamos do Mário Sérgio”. Conquistou a Taça Intercontinental e retornou ao Inter no ano seguinte. Foi o protagonista do famoso Gre-Nal das Faixas e, com a camisa do Inter e com a faixa do Grêmio, foi aplaudido pelas duas torcidas. Uma façanha conquistada por poucos.

O atacante protagonizou um dos mais emblemáticos grenais dos anos 80 durante sua segunda passagem pelo colorado.

Vilson Taddei

Fundamental na conquista do Brasileiro de 81, Vilson Taddei era um dos destaques do meio campo do Grêmio. Na semifinal, Taddei foi imprescindível ao marcar um gol e dar duas assistências na vitória de 3 a 2 sobre a Ponte Preta. Encerrou sua passagem no tricolor em 1982 e passou por Santa Cruz e Guarani antes de assinar com o Internacional. Não repetiu o sucesso que teve no rival, mas nutre um enorme carinho pelas duas torcidas.

Luís Fernando Gaúcho

Artilheiro da Copa São Paulo de Juniores de 1974, o centroavante Luís Fernando Gaúcho foi bicampeão nacional com o Inter nos anos seguintes. Marcou gol, inclusive, no decisivo jogo contra a Portuguesa em 75. Rodou pelos Estados Unidos até voltar ao Rio Grande em 1984. No tricolor, atuou pouco, disputando apenas 24 partidas.

Tita

Multicampeão com o Flamengo – Brasileirão, Libertadores e Intercontinental -, o meia-atacante Tita chegou ao Grêmio em 1983 para dar um título inédito ao clube. Emprestado pelos cariocas, Tita foi titular e conquistou seu segundo título continental, desta vez vestindo azul, preto e branco. Retornou ao Flamengo antes da disputa mundial contra o Hamburgo e só retornou ao sul dois anos depois para defender o Inter. Tita foi escolhido como substituto para Rubén Paz. Mesmo sem conquistar títulos, teve uma sólida passagem no clube.

Paulo César Magalhães

Outro campeão, o lateral esquerdo Paulo César Magalhães foi titular nas conquistas do Brasileirão em 1981 e da Libertadores e do Mundial do Grêmio, em 1983. Foi negociado com o Vasco dois anos depois e emprestado logo de cara ao Inter. Não conseguiu repetir o sucesso que teve no rival e retornou ao Rio de Janeiro depois de apenas quatro meses no colorado.

Mesmo depois de mudar de lado, Paulo Cesar Magalhães manteve a amizade com o ex-companheiro Renato Portaluppi.

Cláudio Freitas

Por cinco anos das categorias de base do colorado, o meia-esquerda Cláudio Freitas nunca atuou no profissional. Depois de emprestá-lo ao Passo Fundo, o Inter perdeu o prazo e não renovou com o atleta, que acabou jogando pelo Grêmio. Vítima de maus contratos, Cláudio Freitas se meteu em negócios ruins e, apesar de jogar pela dupla e por clubes como o Botafogo, não conseguiu obter patrimônio.

Casemiro

O lateral Casemiro Mior fez parte do elenco gremista durante toda a fase gloriosa dos anos 80. Campeão do Campeonato Brasileiro, da Libertadores e do Mundial, ficou no Grêmio até 1987. Foi contratado pelo Inter e protagonizou um dos jogos mais importante da história dos clubes: o Gre-Nal do Século. Na ocasião, Casemiro foi expulso no primeiro tempo e tornou a missão do Inter ainda mais difícil.

Luís Carlos Martins

Quando Luís Carlos Martins foi lançado aos profissionais, a torcida do Grêmio não tinha dúvida de que ali estaria sendo formado um futuro craque do futebol brasileiro. No seu primeiro jogo, anulou Rubén Paz em um clássico, mas destacou-se mais ainda na armação. Fez parte do time vice-campeão da Libertadores em 84 e foi negociado com o Vasco. Revezou entre o clube carioca e o gaúcho por dois anos, mas suas constantes brigas com os treinadores Joel Santana e Sebastião Lazaroni fizeram com que fosse repassado ao Inter em 1988. Assumiu a camisa 10 e e participou da Gre-Nal do Século e da semifinal de 89 contra o Olimpia.

Heleno

Jogador da base do Grêmio, Heleno disputou poucas partidas. Foram sete ao todo, todas em 1987. No ano seguinte, foi para o Internacional, onde novamente teve poucas chances.

Kita

Membro da Sele-Inter – ocasião em que o elenco colorado representou a Seleção Brasileira em 1984 -, o atacante Kita ficou no colorado até 1986. As boas atuações o levaram ao Inter de Limeira, onde tornou-se ídolo, artilheiro e campeão do inédito Campeonato Paulista. Foi titular no Flamengo de Zico na temporada seguinte, mas caiu de rendimento e rodou por diversos clubes até chegar no Grêmio de Cláudio Duarte em 1989. Foi campeão da Copa do Brasil e passou o restante da carreira em clubes menores no interior gaúcho.

Agachado, Kita jogou no Grêmio ao lado de Cuca, que também viria a mudar de lado em Porto Alegre.

Paulo Bonamigo

Um dos destaques do Grêmio ao longo da década de 80, o volante Paulo Bonamigo ficou no clube por doze temporadas. Conquistou títulos e tornou-se um dos símbolos do grupo em sua passagem. Trocou o tricolor pelo Inter em 1989 e, na sua passagem de três anos, venceu um Campeonato Gaúcho, além de chegar às semifinais da Libertadores de 89.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

mais lidas

Especial: Jogadores Vira-Casaca na década de 90

Na primeira parte desta matéria mostramos os 25 jogadores que viraram a casaca no século 21. Agora, chegou a vez dos anos 90, que...

Desenvolvedores criam mapa de corrida de carro baseado em Porto Alegre

Já pensou em disputar uma corrida de carro na orla do Guaíba? Ou então passear em alta velocidade pelo Beira-Rio e Arena do Grêmio?...

Deu Tudo Errado: Leandro, o especialista

Muitas vezes o que parece ser o início de um sonho pode acabar dando tudo errado. Quem é torcedor sempre sonha com um título,...

Jogadores do Grêmio publicam nota conjunta: “Nos respeitem!”

Após o Grêmio divulgar o adiamento de parte dos vencimentos dos jogadores, os atletas tricolores foram às redes sociais comentar sobre o assunto. Publicaram...