sábado, 08/08/2020
Início Tricolor Baú do Bairrista: 23 anos do tri na Copa

Baú do Bairrista: 23 anos do tri na Copa

Há exatos 23 anos, o Grêmio sagrava-se tricampeão da Copa do Brasil de maneira invicta. O título, além de toda a sua glória própria, vinha como uma espécie de revanche: o rival não era mais o único tricampeão invicto no âmbito nacional. Em uma das melhores temporadas de Paulo Nunes – artilheiro da Copa do Brasil -, o Grêmio teve cinco vitórias e cinco empates ao longo da competição.

O elenco tricolor mantinha a forma dos demais títulos da década: Danrlei, Arce, Rivarola, Roger, Dinho, Goiano, Emerson, Carlos Miguel, Paulo Nunes e Zé Alcino. As últimas adições eram Mauro Galvão (que chegou ao clube ainda em 96), o meia João Antonio e o atacante reserva Dauri. Na casamata também houve mudança: Felipão trocou o tricolor pelo Jubilo Iwata, do Japão, e quem assumiu foi Evaristo de Macedo.

Elenco do Grêmio na Copa do Brasil de 1997.

Na primeira fase o Grêmio teve duas vitórias. O adversário foi o Fortaleza e a primeira partida terminou em 3 a 2 para o tricolor. Os cearenses abriram o placar no Castelão, mas não demorou para que viesse o empate com Zé Alcino. Paulo Nunes marcou o segundo e Zé Alcino, mais uma vez, ampliou.

O jogo de volta foi tranquilo. O Grêmio marcou duas vezes com Paulo Nunes e fechou com Dinho em pleno Olímpico o placar de 3 a 1. Na fase seguinte, mais uma vez Paulo Nunes fez o dele. Vitória tricolor por 2 a 1 contra a Portuguesa de Capitão e Paulinho McLaren. Na volta, empate por 1 a 1 no Canindé e vaga garantida nas quartas-de-final.

Contra o Vitória, Paulo Nunes fez o seu de praxe. 2 a 0 no Olímpico e, além da boa vantagem, Russo – lateral da Seleção Brasileira – fora expulso e estava de fora da partida de volta. O favoritismo cresceu à medida que o tricolor antes dos 30’ vencia por 2 a 0 novamente, mas o Vitória reagiu. Gil Baiano marcou e Danrlei segurou a bola, impedindo o recomeço da partida. O goleiro foi expulso no lado azul e permitiu que Agnaldo e Chiquinho marcassem, dando esperança ao torcedor capixaba. Entretanto, como se estivesse cumprindo algum tipo de rotina, Paulo Nunes marcou.

A etapa seguinte seria contra o forte Corinthians, que contava com dez jogadores que vestiram ou vestiriam a camisa da Seleção. Sem Danrlei, o defensor da meta contra o foi Murilo. Ainda no primeiro tempo, o substituto fez o mesmo que o substituído. Aos 39 minutos, Murilo impediu que Túlio Maravilha fizesse o tento com uma bela defesa; entretanto, um detalhe: o goleiro estava fora da área e foi expulso.

Pênalti perdido por Marcelinho aos 42 da etapa complementar.

Em seu lugar entrou Silvio, terceiro goleiro do clube. Como toda boa história tem um pouco de drama, não bastava Silvio ser o reserva do reserva; precisava também estar com um dedo quebrado. Herói, o goleiro segurou na defesa e quem saiu na frente foi o Grêmio. O zagueiro corintiano Luciano fez contra e Paulo Nunes, driblando o ídolo Ronaldo, ampliou menos de dez minutos depois. Marcelinho Carioca descontou de falta e, aos 40’, teve a chance de empatar. O meia cobrou no canto, mas o anjo da guarda de Silvio estava presente: a bola bateu na trave e, no rebote, quebrou mais um dedo do goleiro. Assim, Silvio terminou a partida como herói, com dois dedos quebrados e ouvindo gritos dos ofensivos paulistas. Chuta que ele tá com a mão quebrada.

Goleiro Silvio após a partida de ida, com dois dedos quebrados.

Na partida de volta, mais um jogo tenso. Marcelinho faz um belo lançamento e Donizete bota para o fundo das redes logo aos 3’. O Grêmio conseguiu respirar aliviado apenas quando, no último minuto do primeiro tempo, Paulo Nunes chutou fraco e Ronaldo aceitou. Marcelinho Carioca ainda acertou o travessão em uma etapa complementar cheia de emoção, mas vazia de gols.

Dauri em lance do empate por 1 a 1 com o Corinthians no Olímpico.

A grande final seria contra o Flamengo de Sávio e Romário. Em pleno Olímpico, Arce, de falta, meteu uma bola no poste logo nos primeiros minutos. Paulo Nunes ensaiou uma bicicleta poucos minutos depois e Arce novamente cobrou falta perigosa. A pressão era total do tricolor quando Dinho, em um lance de descontrole, cometeu uma falta grave em Sávio, sendo assim expulso aos 39’.

Nos minutos finais da primeira etapa, o Flamengo cresceu e quase chegou lá com Júnior Baiano de cabeça. No lance seguinte, Júnior Baiano acertou no poste, novamente de cabeça. No segundo tempo, o Grêmio teve apenas uma chance de perigo. Rodrigo Gral, que havia entrado no lugar Dauri, driblou o goleiro Zé Carlos e mandou para fora. O Flamengo seguiu soberano e brilhou a estrela de Danrlei. O ídolo realizou defesa atrás de defesa e impediu que os cariocas saíssem com o saldo positivo.

Grêmio 0x0 Flamengo no Olímpico. Foto: Valdir Friolin/Zero Hora

No lugar de Dinho, Evaristo de Macedo escalou Otacílio. Os ânimos estavam à flor da pele no Maracanã e logo no começo veio o banho de água fria tricolor. Aos 6’, Carlos Miguel deu um belo passe de canhota, João Antonio cortou e mandou para o fundo das redes. O jogo estava equilibrado e o Grêmio quase ampliou com um forte chute de Rivarola.

Para piorar a situação do Flamengo, Sávio sentiu dores e pediu para ser trocado. Em seu lugar, Sebastião Rocha colocou o jovem Lúcio Bala. A troca deu certo: em poucos minutos, Lúcio deixou tudo igual no Maracanã. A vantagem seguia do tricolor, mas os cariocas pressionavam cada vez mais.

Foto: José Doval/Agência RBS

Aos 40’, Nélio levantou da direita e Romário deu um testaço na pequena área. Danrlei operou um milagre mas não foi o suficiente. A bola rebateu no travessão e o próprio baixinho completou novamente de cabeça. De virada, o título era do Flamengo enquanto Wilson de Souza Mendonça apitava o fim do primeiro tempo. Era festa dos quases 100 mil torcedores rubro-negros.

Na etapa complementar, Romário quase ampliou, tirando um fino da trave e preocupando os mais fiéis dos torcedores gremistas. O jogo passou a ser truncado, sem boas chances. Próximo do término da partida, Carlos Miguel recuperou uma bola na intermediária e Roger rapidamente foi lançado na ala esquerda. O lateral seguiu à linha de fundo e botou na cozinha encontrando justamente Carlos Miguel, que apenas escorou para deixar tudo igual no Rio de Janeiro.

Carlos Miguel comemorando o gol do título no Maracanã.

O Grêmio cresceu e quase fez o terceiro, mas o empate reinou. No dia 22 de maio de 1997, há exatos 23 anos, o Grêmio calou o Maracanã e conquistou o tricampeonato invicto da Copa do Brasil. Nas palavras de Romário: “o Grêmio mereceu”. Se o baixinho disse, quem somos nós pra contrariar.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

mais lidas

Especial: Jogadores Vira-Casaca na década de 90

Na primeira parte desta matéria mostramos os 25 jogadores que viraram a casaca no século 21. Agora, chegou a vez dos anos 90, que...

Desenvolvedores criam mapa de corrida de carro baseado em Porto Alegre

Já pensou em disputar uma corrida de carro na orla do Guaíba? Ou então passear em alta velocidade pelo Beira-Rio e Arena do Grêmio?...

Deu Tudo Errado: Leandro, o especialista

Muitas vezes o que parece ser o início de um sonho pode acabar dando tudo errado. Quem é torcedor sempre sonha com um título,...

Jogadores do Grêmio publicam nota conjunta: “Nos respeitem!”

Após o Grêmio divulgar o adiamento de parte dos vencimentos dos jogadores, os atletas tricolores foram às redes sociais comentar sobre o assunto. Publicaram...