segunda-feira, 28/09/2020
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Especial: A Maldição da Libertadores

A crise do coronavírus assola todos os aspectos do planeta e o futebol não encaixa-se como exceção. Ok, somos Bairristas, mas isso não significa que a pandemia não chegou no Sul. Inter, Grêmio e todos os demais clubes do estado seguem com um futuro incerto. A mais clara definição atualmente é o plano de retorno do Campeonato Gaúcho, que ainda assim pode ser adiado ou até mesmo cancelado.

A Libertadores da América marcava uma promessa: disputar uma final no maior estádio do Brasil. O Maracanã seria a sede da decisão continental e fez com que os fiéis torcedores de seus clubes rapidamente procurassem passagem para o Rio de Janeiro, ansiosos pelo dia 21 de novembro.

Entretanto, indefinição. Com a crise, é tudo o que temos. Figuras como o presidente tricolor, Romildo Bolzan, mostram-se desacreditadas até mesmo no retorno da competição neste ano. Mas a final de 2020 não é a primeira a ter planos frustrados ou drasticamente modificados. Na verdade, indefinição e incertezas são práticas comuns nas disputas recentes do torneio.

A edição de 2019 da Libertadores marcava a primeira com o uso da final única. Antes do torneio começar, ficou definido que a sede seria o Estádio Nacional, em Santiago. A competição avançou e Flamengo e River classificaram-se para a decisão. Menos de 20 dias para a tão aguardada final, o local teve que ser alterado.

Uma série de protestos civis contra o governo acontecia nas ruas chilenas e ameaçavam a disputa da partida. Assim, a CONMEBOL transferiu a decisão para o Estádio Monumental, em Lima. O desfecho todos sabemos: em uma performance decisiva nos minutos finais, Gabigol marcou duas vezes e o Flamengo sagrou-se campeão da Libertadores.

Voltando mais um ano, temos o que talvez seja a maior polêmica da história da competição. Boca e River disputariam os maiores clássicos de sua história. Pela primeira vez a maior rivalidade da Argentina (e uma das maiores do mundo) decidiria a maior final do continente.

Sem a adoção da final em sede neutra, a decisão seria disputada na Bombonera e no Monumental de Nuñez. O jogo de ida estava marcado para o dia 10 de novembro, mas uma forte chuva fez com que a partida fosse adiada. A bola rola no dia seguinte e acaba com um empate em 2 a 2 na casa do Azul y Oro. Uma festa insana nas arquibancadas lotadas de um dos estádios mais emblemáticos do mundo.

Já na volta, o ônibus do Boca Juniors foi apedrejado por torcedores do River Plate, que arremessaram diversos objetos e feriram os atletas xeneize. O capitão Pablo Perez e Gonzalo Lamardo foram encaminhados ao hospital com cortes nos braços e Perez acabou sendo diagnosticado com uma úlcera no olho. Além de pedras, os torcedores do River atiraram gás de pimenta, que atordoou os demais atletas do Boca.

Em acordo dos clubes, a partida foi adiada para o dia seguinte, mas o governo argentino e o próprio Boca solicitaram a suspensão do jogo de volta. Segundo o clube azul e ouro, não havia clima para práticas desportivas. Além disso, nas entrelinhas ficava claro que o Boca temia uma suspensão por doping, uma vez que os atletas foram medicados com corticóides após o ataque.

A indefinição seguiu por quase uma semana. Haveria final? O River seria punido? Onde que aconteceria o jogo?

O Boca bem que tentou entrar com recurso para garantir os pontos do jogo não realizado, mas a CONMEBOL tinha outros planos. Uma intensa negociação iniciou-se entre as possíveis sedes. Madri, Doha, Miami e Paris eram fortes candidatas, mas foi a capital espanhola que acabou sendo escolhida a anfitriã. A disputa aconteceu no dia 9 de dezembro, duas semanas após o planejado, no Santiago Bernabéu, estádio do Real Madrid e contou com a vitória por 3 a 1 do River Plate já na prorrogação.

A origem das mudanças

Desde que assumiu a presidência da Conmebol, em janeiro de 2016, o paraguaio Alejandro Domínguez planejou uma renovação geral na organização da Libertadores. Tendo como objetivo a expansão da marca, adicionou mais equipes em uma edição. Para encaixar no calendário, a organização contou com um aumento no número de fases preliminares, além de espaçar as partidas ao longo do ano – antes a competição era restrita ao primeiro semestre.

Ainda assim, a principal bandeira de Domínguez sempre foi a final em jogo único em uma sede neutra. Inspirado no modelo da Liga dos Campeões, seria algo inédito no continente. Sedes neutras eram utilizadas apenas em jogos de desempate, como o Santos de Pelé, que em 1962 venceu o Peñarol no Monumental de Núñez, na Argentina.

Suas primeiras tentativas começaram logo em seu primeiro ano de mandato. A ideia da Conmebol era jogo único a partir de 2018, mas por conta de uma pressão negativa e uma desconfiança no modelo apresentado, a primeira final única foi disputada somente em 2019. Porém, a confusão do Monumental fez com a sede neutra fosse utilizada.

Agora, resta saber quando que dois clubes entrarão em campo no Maracanã para decidir esta edição da Copa Libertadores. Além disso, novas sedes deverão ser escolhidas e o Inter anunciou que o Beira-Rio será um dos candidatos a receber uma final de torneio continental.

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