quinta-feira, 04/06/2020
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Baú do Bairrista: a primeira Copa do Brasil

Entre CBD e CBF, os campeonatos nacionais passaram por muita desorganização. Nos anos 70, a ditadura militar fez com que os torneios inflassem, passando pelas nomenclaturas de Taça Brasil, Taça de Prata, Nacional de Clubes, Copa Brasil e Taça de Ouro. Na metade final da década de 80, o desarranjo chegou ao seu auge.

Com isso, os campeonatos no Brasil passaram por uma reformulação em 1989. A CBF passava por uma grave crise financeira e não foi capaz de organizar uma competição ao nível dos grandes clubes do país. Assim, em 1987 foi criada a Copa União, idealizado pelo Clube dos 13 – grupo comandado pelo memorável Fábio Koff. A Copa União fez parte de uma competição maior, denominada Copa Brasil, que correspondia a uma figura de campeonato nacional.

Uma das primeiras reuniões do Clube dos 13.

Com a delimitação de times grandes (disputando a Copa União) e times pequenos (disputando os demais módulos da Copa Brasil), a CBF organizou uma nova competição a nível nacional com o potencial de unificar os estados. Dessa forma surgiu a Copa do Brasil, que se mantém como uma dos maiores torneios do Brasil.

A primeira edição começou em julho daquele ano e o Grêmio treinado por Cláudio Duarte venceu por 1 a 0 o modesto Ibiraçu do Espírito Santo. Na volta, a primeira goleada do Grêmio: 6 a 0 com direito a show e golaço de Paulo Egídio. Cuca, Kita, Alfinete e Adílson Heleno fecharam o placar.

Nas oitavas-de-final o adversário foi o Mixto, do Mato Grosso. O jogo de ida foi novamente fora de casa, no Estádio José Fragelli e assim veio a segunda goleada. O Grêmio marcou duas vezes com o atacante Nando, Cuca, Alfinete (seu terceiro gol na competição) e Assis, célebre irmão de Ronaldinho Gaúcho.

Grêmio jogou contra o Bahia nas quartas-de-final da competição inédita.

O jogo de volta no Olímpico não aconteceu. O Mixto teve dificuldades ao conseguir transporte aéreo para Porto Alegre e a CBF declarou W.O., dando ao Grêmio a vitória por 1 a 0. Em quatro jogos, o tricolor tinha quatro vitórias e nenhum gol tomado.

Nas quartas-de-final veio a primeira pedreira. O Bahia havia sido campeão brasileiro no ano anterior justamente em cima do rival tricolor, vencendo o Internacional na final. O Grêmio não teve problemas e fez 2 a 0 com Kita de cobertura e Cuca na Fonte Nova. Na volta, o capitão Edinho marcou um belo gol de falta e fechou o agregado em três gols.

Na semifinal outro grande clube. O lateral Júnior retornava ao Flamengo depois de cinco anos na Itália e o jogo contra o Grêmio marcava seu reencontro com Zico no Maracanã. Não demorou muito para que a torcida vibrasse. Logo aos 3’, Sergio Araújo abriu o placar e, aos 15’, Nando ampliou. Zico acertou o travessão e a partida se encaminhava para uma vitória tranquila dos cariocas.

Entretanto, o Grêmio reagiu. Antes de acabar o primeiro tempo, Paulo Egídio aproveitou um erro da zaga flamenguista e diminuiu. O gol foi um banho de água fria nos donos da casa e o clube gaúcho volta melhor no segundo tempo. Após dez minutos de domínio, Luís Eduardo deixa tudo igual no Maraca. Alguns atribuem a guinada tricolor ao eclipse lunar que despontava no céu do Rio de Janeiro, mas Cláudio Duarte confiava na competência do seu time.

Paulo Egídio foi autor de um belo gol no jogo de volta contra o Flamengo, deslocando o goleiro carioca e mandando para o fundo das redes.

Se no jogo de ida havia dúvida sobre a tal competência tricolor, na volta o time fez questão de mostrar sua imponência. O Grêmio venceu o clube de Telê Santana por 6 a 1 em uma das goleadas mais celebradas da história do confronto. Cuca abriu o placar no único gol da primeiro tempo. Na etapa complementar, Paulo Egídio marcou duas vezes, enquanto Cuca marcou um golaço de cobertura; Almir e Assis (que havia dado duas assistências na partida) fecharam o placar. O Flamengo ainda teve um gol de honra marcado por Renato Carioca, mas o estrago estava feito.

A final seria contra o Sport, o campeão brasileiro de 1987. A torcida apaixonada do Leão do Norte lotou a Ilha do Retiro e embalou a equipe recifense. Bola na trave e bicicleta rente ao poste, o Sport dominou a partida. O jogo, entretanto, ficou no 0 a 0.

Cuca dando carrinho na semifinal contra o Flamengo.

Uma semana depois, foi a vez dos torcedores tricolores lotarem o Olímpico. Em um bate-rebate, Assis chutou no canto e fez com que os 62 mil presentes no estádio rugissem para o Leão. O tricolor ficou apreensivo após Mazarópi cometer um dos maiores erros de sua vitoriosa carreira. O lateral Airton (ex-Grêmio) cobrou escanteio e o goleirão gremista errou na saída, escorando a bola para dentro de sua meta.

Fim de primeiro tempo e tensão em Porto Alegre. Aos 6’ da etapa complementar, Luís Eduardo lançou uma bola despretensiosa. O lançamento passou por Lino, mas achou Cuca na grande área que rapidamente concluiu. A bola bateu no travessão e entrou na meta adversária. O gol do título saiu dos pés de Alexi Stival, camisa 8: o Cuca.

Grêmio comemorou o título em pleno Olímpico. Foto: Valdir Friolin/Agência RBS.

Nos minutos seguintes, tudo que o Grêmio queria era o final da partida. Cláudio Duarte e a direção gremista estavam a beira do gramado quando José de Assis Aragão apitou. O Grêmio era o primeira campeão da Copa do Brasil. O primeiro título de muitos, diga-se de passagem. Ao longo da década de 90, o Grêmio participou de cinco finais e conquistou mais dois títulos da Copa do Brasil. No século 21 adicionou mais dois troféus à coleção, totalizando cinco e sendo assim o segundo maior campeão da histório do torneio.

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