quinta-feira, 09/07/2020
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Baú do Bairrista: 3 jogos no mesmo dia? Só o Grêmio

O debate sobre o calendário do futebol brasileiro é recorrente. Clubes que acumulam sucesso em todas as competições precisam, às vezes, priorizar uma ou outra. Muitas vezes jogando a competição “deixada de lado” com uma equipe sem os melhores jogadores do clube. Foi assim que surgiu uma situação extremamente bizarra e única no ano de 1994, onde o Grêmio jogou 3 partidas no mesmo dia, válidas por uma mesma competição. 

O Gauchão daquele ano recebeu a justa alcunha de “interminável”. Ao todo, 23 equipes disputavam uma competição de pontos corridos de turno e returno, totalizando 44 rodadas. A competição foi de março até dezembro e nem a Copa do Mundo foi capaz de parar o torneio. O estadual seguia enquanto momentos inesquecíveis como a comemoração icônica de Bebeto contra a Holanda. Um dia antes de Galvão Bueno eternizar o grito de “É tetra!”, o Grêmio empatava em 1 a 1 com o Passo Fundo no Vermelhão da Serra. 

Ao mesmo tempo que disputava o estadual, o tricolor mantinha um calendário cheio de competições, com Brasileirão, Copa do Brasil, Copa Conmebol e Supercopa da Libertadores. Ficou em 11º no Brasileiro, não conseguindo chegar até às fases finais. Na Supercopa, eliminou na primeira fase o Racing, mas na fase seguinte perdeu para o Independiente. Na Copa Conmebol, perdeu nos pênaltis para o São Paulo na primeira fase. 

Mas seu grande sucesso viria na Copa do Brasil. Passou por Criciuma, Corinthians, Vitória e Vasco, até enfrentar o Ceará na Final. Menos de 1 mês após comemorar o tetra com a seleção, o torcedor gremista comemorava outro tetra. Desta vez com o gol de Nildo, no Estádio Olímpico. 

Com tudo isso para disputar, o tricolor foi adiando algumas datas do Gauchão. Chegando em dezembro, ainda faltavam algumas rodadas para serem disputadas. E o clube não tinha nem chances de disputar título. Com o Inter matematicamente campeão, aquelas partidas apenas serviriam para cumprimento de tabela. A solução encontrada? Colocar as 3 partidas restantes para o mesmo dia. 

Promoção de ingressos para a rodada tripla

E foi assim divulgada a tarde de futebol do dia 11 de Dezembro de 1994. Com ingressos de 1 a 3 reais, quem decidiu ir ao Olímpico naquela tarde assistiu, na sequência, um confronto contra o Aimoré, depois contra o Santa Cruz, e, por fim, contra o Brasil de Pelotas. 

Era um dia muito quente, onde a sensação térmica beirava os 48 Cº, então poucos se aventuraram. O Estádio Olímpico recebeu um público de 758 pessoas naquele dia. 

Apenas 758 presentes nas arquibancadas de uma tarde quente no Olímpico

Para ajudar a distinguir, cada elenco jogou uma partida com um uniforme diferente. Azul celeste contra o Aimoré, a tradicional tricolor contra o Santa Cruz e a branca contra o Brasil de Pelotas. Para aquela batalha, o Grêmio relacionou 42 jogadores que tiveram que dividir o mesmo vestiário. Situação também vivida pelos jogadores das 3 equipes adversárias do tricolor. 

Jogadores de Santa Cruz e Brasil de Pelotas se encontrando nos corredores do vestiário

A primeira partida foi contra o Aimoré. Empate em 0x0. O treinador foi Zeca Rodrigues, auxiliar de Felipão. Zeca também comandou o Grêmio na vitória por 4 a 3 diante do Santa Cruz. Alguns atletas jogaram mais de uma partida aquele dia. Juliano, por exemplo, saiu do banco contra o Aimoré e contra o Xavante. Émerson entrou nos minutos finais contra o Santa Cruz, trocou de uniforme e foi titular contra o Brasil. E também Jacques, titular contra o Santa Cruz, entrou na partida contra o Brasil e marcou o gol da vitória. Certamente um dia inesquecível para o jogador.

Grêmio 0x0 Aimoré

Murilo; Cristian, Luciano, Éder e Júlio César; Puma, Alexandre e André Muller; Tefo (Juliano), Escurinho e Rodrigo Gasolina. Tec: Zeca Rodrigues

Grêmio 4×3 Santa Cruz

Danrlei; Ayupe, Scheidt, Agnaldo Liz, Arílson; Pingo, Jamir, Jé (Émerson) e Carlos Miguel; Fabinho e Jacques (Ciro). Tec: Zeca Rodrigues

Grêmio 1×0 Brasil de Pelotas

Aílton Cruz; Jairo Santos, César, Cristiano e Duda; André Vieira, Wallace e Émerson (Jacques); Carlinhos, Ciro (Juliano) e Cristiano Júnior. Tec: Felipão

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