quinta-feira, 09/07/2020
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Baú do Bairrista: A Copa do Juventude

Quando finalmente terminou aquela partida em 0 a 0 no Beira-Rio, consagrando o Juventude como campeão estadual pela primeira vez, o torcedor Jaconero não poderia imaginar que algo muito maior estava por acontecer um ano depois. Ainda mais sabendo que o Juventude naquela tarde quebrou um jejum de 44 anos desde o último troféu estadual que não foi parar no Olímpico ou Beira-Rio. 

Mas vôos maiores esperavam o clube da serra gaúcha no ano seguinte. Com o título estadual, veio a oportunidade de disputar a Copa do Brasil, desejo talvez visto como algo difícil, mas não impossível. 

Na primeira fase, o Juventude passou por cima do Guará, do Distrito Federal. Fez 5 a 1 fora de casa. Como era previsto no regulamento, vitória fora de casa por 2 gols de diferença ou mais dispensava o jogo da volta. Pegaria na próxima fase o Fluminense, que derrotou o Lagartense.

O clube carioca vivia o pior momento de sua história, disputando a Série C do Campeonato Brasileiro. Mesmo assim, o Juventude acabou perdendo por 3 a 1 no Maracanã no jogo de ida. 

Missão complicada para se resolver no Alfredo Jaconi. Mas missão dada era missão cumprida para a equipe de Walmir Louruz. Com apenas 7 minutos de jogo, Flávio já havia marcado 2 gols, resultado que já classificaria o Jaconero. Seria o momento de segurar a partida e administrar o placar? Pelo contrário! Com um gol de Maurílio, um de Capone e dois de Flávio, o Juventude patrolou o Fluminense e venceu por sonoros 6 a 0.

Nas oitavas, uma grande pedreira. O Corinthians de Gamarra, Vampeta e Marcelinho Carioca, que havia sido campeão brasileiro um ano antes. Na ida, o Juventude venceu por 2 a 0 no Alfredo Jaconi. No Pacaembu, fez um gol nos primeiros minutos de jogo que já encaminhou a classificação para a próxima fase.

Seu próximo adversário era o Bahia, que tinha como treinador Joel Santana. Na partida de ida, no Jaconi, viu a equipe adversária abrir o marcador. Conseguiu virar a partida, mas os adversários empataram em 2 a 2. Resultado tenso levado para salvador. No jogo de volta, mais um empate em 2 a 2, que levou o jogo para os pênaltis. Nas penalidades, brilhou a estrela do goleiro Émerson, que conseguiu defender uma das cobranças e levar o Juventude para a semifinal. 

Nas semis, enfrentaria o mesmo Internacional que venceu para ser Campeão Gaúcho um ano antes. Na ida, um empate em 0 a 0 no Alfredo Jaconi. Tudo ficaria para o Beira-Rio, e o que se viu foi um verdadeiro massacre alvi-verde. No primeiro tempo, Márcio Teixeira abriu o placar para o Juventude. No segundo tempo, Márcio Mixirica ampliou. Mabília fez o terceiro, e Capone, de pênalti fechou o caixão. Pela primeira vez em sua história, o Juventude chegava a uma decisão nacional.

Torcedor do Inter não ficou nada feliz com o resultado

Se a campanha do Juventude acabou dando a alcunha de “matador de gigantes”, a campanha do Botafogo, seu adversário na final, estava à altura, eliminando equipes como São Paulo, Athletico Paranaense e Palmeiras, até chegar à decisão. 

No jogo de ida, um Alfredo Jaconi lotado com mais de 25 mil torcedores. Com apenas 14 minutos de jogo, Fernando recebe cruzamento e abre o placar. 7 minutos depois, Márcio Mixirica faz o segundo. Alguns minutos depois, Wallace, do Juventude, e Sandro, do Botafogo, trocam empurrões. O árbitro Márcio Rezende de Freitas expulsa os dois.

Com 10 de cada lado, o Botafogo ainda descontou no final do primeiro tempo com bebeto. Na segunda etapa, Capone faz falta em Leandro e é expulso. Com 9 em campo, viu o Botafogo empatar duas vezes, mas nas duas o árbitro anulou o gol. Com a vitória por 2 a 1, bastava um empate para o tão sonhado título.

101.501. Esse foi o público total do Maracanã naquela tarde de 27 de Junho de 1999. A última vez que o “maior do mundo” teria um público superior a 100 mil. Desta multidão pintada de preto e branco, cerca de 2 mil pessoas colocavam um pouco de verde nas arquibancadas. 

Maracanã lotado para aquela partida

Com a bola rolando, o Juventude tentava ao máximo segurar a pressão botafoguense. Índio e Picoli seguravam um ataque comandado por ninguém menos que Bebeto. Mas o grande destaque daquela partida não poderia ser outro. Émerson Ferreti sabia de sua responsabilidade e fez de tudo para a bola não entrar. Com o apito final, o Juventude pôde saborear a conquista do que é, até o momento, sua maior glória. 

Como era de se esperar, a equipe foi recebida com muita festa ao chegar em Caxias do Sul. Além de conquistar o Brasil, a conquista serviu como um passaporte para a Libertadores da América do ano seguinte. Dois dias depois da conquista, viria o aniversário do clube, com um presente de aniversário inesquecível até hoje.

Festa em Caxias. Foto: Porthus Junior / Agencia RBS

 

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