domingo, 17/01/2021
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Baú do Bairrista: a nuca de Pedro Júnior

2006 é um ano marcante para boa parte dos torcedores gaúchos. No lado vermelho, veio a maior comemoração da história do clube com a Libertadores e com o Mundial de Clubes. Ainda assim, o peso de um Gre-Nal não deve ser subestimado e naquele ano o campeão foi o Grêmio.

No Campeonato Gaúcho de 2006, a dupla Gre-Nal fez campanhas absolutamente idênticas na fase de grupos. 23 pontos com sete vitórias, dois empates e uma derrota cada. Na segunda fase, o Inter conseguiu uma pequena vantagem de quatro pontos, mas ambos os clubes estavam classificados para a final.

O primeiro jogo seria no Olímpico e o tricolor foi escalado com Marcelo Grohe; Patrício, Evaldo, Pereira, Alessandro; Jeovânio, Lucas Leiva, Marcelo Costa, Wellington; Ramón e Ricardinho. Muito deste elenco seria vice-campeão na Copa Libertadores do ano seguinte, também sob o comando de Mano Menezes.

Elenco do Grêmio presente na primeira partida das finais.

Já no lado oposto, o Inter ensaiava o elenco campeão de meses depois com Clemer; Ceará, Bolívar, Fabiano Eller, Rubens Cardoso; Fabinho, Perdigão, Tinga; Michel, Iarley e Fernandão.

Em jogo não estava apenas o título gaúcho – que o Grêmio não vencia há quatro anos -, mas pela primeira vez no século um Gre-Nal seria decisivo. A última final de Campeonato Gaúcho que havia contado com um clássico havia sido na vitória tricolor em 1999.

O jogo de ida não conteve gols e frustrou os quase quarenta mil torcedores presentes no Olímpico. Com poucas chances, o time de Mano Menezes saía em desvantagem. Na semana seguinte, o confronto seria na casa vermelha, onde o Inter vinha obtendo boa campanha.

A única alteração do Grêmio para a partida foi a entrada de Escalona no lugar de Alessandro. Já no Inter, Abel Braga escalou o time com Ediglê no lugar de Fabiano Eller e Mossoró no lugar de Perdigão.

O Beira-Rio contou com a presença maciça de 57 mil torcedores que empurravam majoritariamente o time da casa. Nervoso, apenas aos 25’ surgiu a primeira oportunidade. Iarley carregou a bola pela ponta esquerda e Fernandão conclui em cima de Marcelo Grohe.

Iarley teve um bom primeiro tempo. Foto: Internacional/Divulgação

A jogada pareceu atiçar os atletas tricolores, que rapidamente responderam. Patricio cruzou rasteiro e, com Clemer completamente batido, Lucas escorou em direção à meta. A bola só não entrou por conta da presença crucial de Ceará.

O jogo tornou-se quente e aos 29’, Mossoró aproveitou a falha de Evaldo para arriscar. Marcelo Grohe impediu que o placar fosse aberto com uma brilhante defesa. Ricardinho ainda arrematou com perigo mas a partida terminaria zerada na primeira etapa.

A torcida colorada começava a ficar impaciente, entoando cantos de “Ei, Abel, tira o Michel” e distribuindo vaias a cada cruzamento errado do ex-gremista Rubens Cardoso. Ambas as equipes retornaram sem alteração e o jogo voltou a pegar fogo logo aos 5’. Pereira fez falta forte em Iarley, mas o Inter não aproveitou ao Ceará cobrar sem força.

E então, saindo dos pés de Bolívar veio o passe para que Fernandão chutasse cruzado e abrisse o placar. Explodia o Beira-Rio lotado em uma comemoração impressionante logo aos 12’ da etapa complementar. O Grêmio seguiu tentando e Ricardinho novamente obrigou que Clemer fizesse uma defesa espetacular.

Na marca de 17 minutos, Mano Menezes coloca o centroavante Pedro Júnior – camisa 17 – em uma substituição que parecia predestinada. Pedro Júnior era o artilheiro da equipe na temporada, mas perdeu parte do carinho da torcida ao errar o pênalti que eliminou o Grêmio na Copa do Brasil.

Pedro Júnior entrou no jogo no segundo tempo para decidir a partida. Foto: Fernando Gomes / Agencia RBS

Mais ofensivo, o tricolor tentava a todo modo empatar a partida. O número de faltas aumentava e a tensão seguia o mesmo caminho à medida que os torcedores visitantes passaram a atirar pedras no goleiro Clemer – um ato covarde desencorajado pela direção gremista, com toda certeza.

Abel buscou se defender com a entrada de Perdigão no lugar de Michel, mas a medida não deu certo. Aos 34’, Marcelo Costa cobrou uma falta lateral e Pedro Júnior cabeceou para o fundo das redes. Cabeceou, não: escorou de nuca.

O Inter ainda tentou com Rafael Sóbis – que havia entrado no lugar de Rubens Cardoso -, mas não teve jeito. O jogo terminou em 1 a 1 e, além do título, foi a consagração de Pedro Júnior com a camisa tricolor.

Frustração de um lado e festa de outro. E que festa! O Grêmio comemorava com carreatas, cornetas e cantos ao longo de todo o Rio Grande. Afinal, não só era quebrado o jejum de quatro anos sem o título gaúcho, mas marcava a volta da soberania tricolor sobre o rival em uma final desde o milênio passado.

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