domingo, 17/01/2021
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Baú do Bairrista: a vitória gremista de Tite no Morumbi

Em 2001, o Grêmio havia passado por uma grande reformulação após a Era de Ouro noventista. Sem Luiz Felipe Scolari, o tricolor ainda conquistou a Copa do Brasil em 1997 com Evaristo de Macedo – que não chegou a completar a temporada. Entre os anos de 1998 e 2000, os únicos troféus levantados pelo Grêmio foram o da Copa Sul e do Campeonato Gaúcho, ambos em 99 sob o comando de Celso Roth.

Eis que começa um novo milênio e um técnico desponta no Rio Grande do Sul como o responsável por quebrar a hegemonia Gre-Nal perante o Gauchão. Adenor Bacchi, mais conhecido como Tite, havia levado o Caxias a um de seus títulos mais importantes da história e não tardou que chamasse atenção de outros clubes.

Tite chegou ao Grêmio em 2001 como uma aposta e logo de cara conquistou bons resultados. Mesmo estreando com derrota na Copa do Brasil, o tricolor recuperou o resultado negativo com uma bela goleada de 4 a 1 no Vila Nova e avançou para a próxima fase.

O troféu da Copa do Brasil foi o primeiro de muitos títulos nacionais e internacionais que Tite levantaria.

Fora de casa, veio mais uma derrota, novamente magra. Com um gol de desvantagem, o Grêmio tratou de vencer com autoria no Olímpico. 3 a 1 no Santa Cruz e o clube seguia avançando. A Copa do Brasil seguia um calendário apertado e seria realizada em sua plenitude em apenas três meses. Assim, o Grêmio jogava uma verdadeira maratona entre partidas de Campeonato Gaúcho – do qual seria campeão – e da competição nacional.

Já pelas oitavas-de-final contra o Fluminense, o tricolor contou com um tento de Marcelinho Paraíba no Olímpico. O gol veio a ser o único do agregado, que contou com um empate sem gols no Maracanã. Em meio à disputa de um Gre-Nal, o adversário na Copa do Brasil foi o São Paulo de Ilan, Carlos Miguel e Kaká. No Olímpico, vitória do time da casa por 2 e 1.

Uma semana – e dois jogos – depois, um baita jogo no Morumbi. O São Paulo começou na frente e, na marca do intervalo, o jogo encaminhava-se para as penalidades com um 2 a 1 no placar. Entretanto, Marcelinho Paraíba, que já havia marcado na partida, acertou mais dois tentos – golaços, diga-se de passagem – e acabou com a esperança do tricolor paulista, que agora precisava de dois gols. A partida foi encerrada com o placar de 4 a 3 para os visitante em uma performance exuberante do camisa 10 tricolor, que ainda foi expulso por reclamação e seria desfalque no jogo de ida das semifinais. Não seria a última vez que o Grêmio iria frustrar algum paulista no Morumbi naquele ano.

Marcelinho Paraíba foi o grande craque do Grêmio na competição.

A semifinal teve como adversário o Coritiba, que havia eliminado Juventude e Flamengo nas fases anteriores e estava invicto na competição. Mas o Olímpico mostrava uma força extraordinária. Em casa, o Grêmio venceu todas as partidas e assim seguiu. Mesmo saindo atrás com um golaço de Anderson, a equipe venceu o Coritiba por 3 a 1 e embarcava para o Paraná com a vantagem. Além disso, o clube estava com uma mão na taça do Campeonato Gaúcho e levantou o caneco no intervalo do confronto contra os paranaenses.

Em um jogo com três expulsões – Marcelinho Paraíba sendo uma delas – e poucos ataques, o Grêmio venceu com gol de Zinho e estava classificado para a final. O adversário seria o Corinthians, que contava com Marcelinho Carioca e Müller no elenco. No Olímpico e sem seu camisa 10, o tricolor contou com a qualidade de Luís Mário.

O Corinthians não titubeou e foi incisivo. Marcou duas vezes, justamente com sua dupla dinâmica Marcelinho Carioca e Müller. O Grêmio precisava reagir e Luís Mário brilhou. Em menos de cinco minutos, o atacante balançou as redes duas vezes e deixou tudo igual na capital gaúcha. Um fato curioso é que o atleta chegou ao Grêmio após uma passagem turbulenta pelo Corinthians. “Foi legal fazer os gols porque saí de uma maneira estranha do Corinthians, fui a última pessoa a saber da negociação. Não gostei da forma como as coisas aconteceram. O Corinthians estava interessado no Paulo Nunes e ofereceu uma lista de jogadores ao Grêmio, dono do passe do jogador. O Grêmio só me aceitava. Aí o Corinthians fez a negociação e teve que botar mais um dinheiro”, afirmou Luís Mário anos após a partida.

Luís Mário saiu do Corinthians para o Grêmio e apresentou aos paulistas a Lei do Ex. Foto: Mauro Vieira / Agência RBS

Para o jogo de volta, o tricolor contaria com a presença de Marcelinho Paraíba, mas ainda assim o favoritismo era total do Corinthians. Os paulistas estavam invictos e, a bem da verdade, deram um banho de bola no primeiro tempo da final em Porto Alegre. Bastava o empate sem gols ou por 1 a 1 e o título seria do Timão.

O Grêmio entrou em campo com Danrlei; Mauro Galvão, Marinho, Roger; Ânderson Lima, Anderson Polga, Tinga, Zinho, Rubens Cardoso; Luís Mário e Marcelinho Paraíba. O time estava completo para a disputa da final e Ântonio Pereira da Silva apitou o início do jogo.

Quem começou melhor foram os visitantes, que, entre os 20 e 25 minutos de partida, desperdiçou cinco chances de gol. Só dava Grêmio e Marinho, aos 42’, desviou de cabeça para marcar o gol gremista. O Corinthians passou a amassar a meta gremista e quase chegou ao empate aos 45’ com o cabeceio de Ewerthon.

Na volta do Intervalo, a defesa paulista foi responsável por uma lambança que definiu a partida. Marcelinho Paraíba perdeu a bola no ataque mas não desistiu. O camisa 10 recuperou e deixou Zinho livre de marcação. O meia acertou o ângulo em com um arremate desnecessariamente belo – era apenas Zinho e o goleiro Maurício. O meia arriscava chute após chute e foi coroado com o tento.

Zinho marcou o gol que praticamente decretou a conquista.

Qualquer reação que o Corinthians esboçou no final da primeira etapa estava agora extinta: o jogo era do Grêmio. Assim foi por cerca de vinte minutos, momento em que Vanderlei Luxemburgo mexeu pela última vez em sua equipe. O Timão passou a atacar e, após duas boas chances, Ewerthon assumiu a responsabilidade e diminuiu com um belo gol. Mais um e a partida se destinaria às penalidades máximas. Mas, como afirmado acima, o jogo era do Grêmio.

O tricolor segurou o resultado e Tite colocou Fábio Baiano e Itaqui na partida. Aos 42’, a poucos minutos do fim, veio o último prego no caixão. Fábio Baiano executou uma bela tabela com Zinho, que cruzou rasteiro. O último gol precisava ser dele: Marcelinho Paraíba apenas empurrou para o fundo da rede e saiu em comemoração. O Grêmio era tetracampeão da Copa do Brasil.

Há quem diga que o Corinthians perdeu por não ter um grupo coeso ou pelas constantes brigas de Marcelinha Carioca e Vanderlei Luxemburgo. Ainda assim, nada nem ninguém pode tirar a glória do título tricolor. Em um Morumbi lotado, frenético, agitado; a festa era dos gaúchos, com direito a três gols. Contra o favoritismo, contra a torcida e contra um forte time invicto, o Grêmio era campeão da Copa do Brasil novamente. O título, pois claro, teve um significado ainda mais especial para Tite. Depois de se projetar no estado em 2000 com o Caxias, o técnico sagrava-se campeão a nível nacional pela primeira vez. Desde então, o treinador conquistou tudo o que é possível: Sul-Americana, Campeonato Brasileiro, Libertadores, Mundial e até mesmo uma Copa América. Comandante da Seleção, Tite encaminha-se para seguir no cargo por mais uma Copa do Mundo. E qual louco ousa dizer que tudo o que foi conquistado não surgiu daquela vitória adversa em um Morumbi lotado?

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