sexta-feira, 03/07/2020
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Baú do Bairrista: Alex acabou com o Boca Juniors

O ano de 2008 será sempre marcado pela conquista da Copa Sul-Americana. Em uma final épica, o colorado venceu o Estudiantes na prorrogação e consagrou atletas como Nilmar, Guiñazu, D’Alessandro e Alex. E foi justamente Alex o protagonista da competição.

Depois de passar por Grêmio e Universidad Católica no saldo qualificado, o Inter começou a priorizar a Sul-Americana ao ser sorteada contra o Boca Juniors. O clube gaúcho jamais havia vencido a competição e também nunca a tratou como uma grande prioridade em suas campanhas.

A Sul-Americana era uma competição nova – segue sendo! Criada em 2002, os brasileiros passaram a fazer parte apenas no ano seguinte. O colorado chegou às semis de 2004, mas perdeu para o Boca Juniors em plena Bombonera – assim como aconteceu em 2005 nas quartas-de-final.

Três anos depois, o Inter presenciava dois reencontros: com a fase final da Copa Sul-Americana e com o carrasco Boca. A primeira partida seria no Beira-Rio e a ansiedade estava alta. O Inter levou ao jogos seus titulares enquanto Carlos Ischia optou por levar à Porto Alegre uma equipe xeneise mista.

Enquanto os argentinos fizeram pouco caso, Alex mostrou quem é o Internacional. O primeiro tempo foi nervoso, com poucas chances claras, mas com muita emoção. D’Alessandro botou uma na trave e Alex forçou que García fizesse boas defesas. Ao final da etapa, o placar ficou zerado.

Na volta, Tite escalou Marcão no lugar do já amarelado Gustavo Nery e a equipe voltou pressionando ainda mais. Logo aos 2’, Nilmar chegou com perigo, mas as redes balançaram quando o relógio marcava quatro minutos da etapa complementar. Alex recebeu de D’Alessandro na intermediária, cortou e, mesmo sem espaço, soltou um chutaço, daqueles que só Alex sabia dar. A bola passou rente a trave de García e estava aberto o placar.

O Inter seguiu em cima, mas o segundo gol não saía. Ischia fez duas substituições na tentativa de empurrar o Boca para o ataque. Cardozo e Lucho Figueroa saíram para a entrada de Nico Gaitán e Noir, mas a troca não deu certo. O jovem Noir, de 21 anos, entrou de sola em Magrão e Jorge Larrionda mandou o atacante para a rua. Um tumulto cresceu no gramado, mas os jogadores conseguiram impedir qualquer tipo de briga.

O Inter buscou aproveitar a vantagem de ter um a mais em campo e quase ampliou com D’Alessandro, que obrigou García a fazer mais uma boa defesa. Mas a noite era de Alex. O meia confiou em sua canhota e soltou mais uma bomba da intermediária: golaço. De fora da área, a bola saiu com uma velocidade impressionante e por pouco não furou as redes do Beira-Rio. Fim de jogo e vitória confortável do colorado.

Passadas duas semanas, chegara a vez do Inter pisar na Bombonera. As derrotas de 2004 e 2005 ainda estavam frescas na memória do clube gaúcho e, apesar da vantagem, nunca se deve subestimar o Boca Juniors em seu estádio. Foi assim nas quartas de 2005, ocasião em que o colorado foi à Argentina com a vantagem e perdeu vexaminosamente para os xeneizes.

Mas o Inter havia crescido, aprendido com seus erros e conquistado não só a América, como o mundo desde então. A bola rolou na Bombonera e era o Inter quem partia para cima. Apostando em triangulações, o Inter abusava da velocidade de seu quarteto ofensivo. O jogo tornou-se equilibrado e o Boca passou a colecionar chances perdidas. Sem sucesso, o primeiro tempo acabou em 0 a 0 e para o clube visitante estava de bom tamanho.

Ainda assim, o Inter partia para cima sem medo e logo no primeiro minuto deu resultado. Nilmar foi lançado pela esquerda e botou a bola na área. Magrão chegou com força e acertou o travessão. A bola bem que caiu dentro da meta do Boca, mas o volante fez questão de conferir, finalizando o rebote de cabeça. Magrão, como o bom colorado que se diz ser, comemorou com a garra de torcedor.

O Boca respondeu com gol de Juan Román Riquelme. O craque converteu a penalidade sofrida por Dátolo após falta de Edinho. Com o placar igual, os argentinos seguiram correndo atrás do placar. Mas, assim como foi em Porto Alegre, a noite era de Alex.

O meia recebeu a bola de Edinho, segurou na intermediária e passou para D’Alessandro. O então camisa 15 passou com uma precisão quase poética e a bola atravessou a área para então encontrar Alex, que apenas empurrou. O Inter calava a Bombonera e conquistava a classificação para as semifinais.

O resto da história todos sabem. O Inter goleou o Chivas e, na final, teve duas batalhas épicas contra o Estudiantes de Verón, chegando ao inédito título brasileiro da Copa Sul-Americana. Não só o título, o colorado ganhou uma bagagem necessária para a conquista da Libertadores dois anos depois.

Quanto a Alex, o meia teve em 2008 sua melhor temporada. Eleito Craque do Brasileirão e Melhor Jogador do Gauchão, Alex também foi um dos membros da Equipe Ideal da América do Sul. Não à toa que foi vendido por cinco milhões de euros para o Spartak de Moscou no ano seguinte.

Alex é ídolo e está eternizado na história do clube. Se perguntados sobre o jogo definitivo do meia, muitos torcedores lembrariam do confronto contra o Boca. Não é sempre que um brasileiro desafia os xeneizes e cala a Bombonera.

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