sexta-feira, 03/07/2020
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Baú do Bairrista: o mergulho heroico de Dunga

A década de 90 não foi das melhores para o colorado. Conquistou a sua primeira e única Copa do Brasil com o célebre pênalti de Célio Silva, claro, mas à parte disso amargou na sombra do rival tricolor. Com o final do milênio, o Inter encontrava-se em uma posição delicada no Campeonato Brasileiro de 1999.

O contexto nacional

Pautado pela polêmica do rebaixamento, a edição daquele ano viria a ser o estopim para que a CBF reorganizasse a disputa nacional. Confusa e mal planejada, a competição gerou uma dor de cabeça tão grande que a entidade nacional passou as rédeas do Brasileirão ao Clube dos 13 no ano seguinte, formando assim a Copa João Havelange de 2000.

Retrocedendo um pouco para o vigente ano de 1999, o time do Inter tinha como destaque o jovem zagueiro Lúcio – sim, aquele Lúcio -, o paraguaio Enciso, Uh Fabiano e o já veterano Dunga. O colorado não estava bem, amargando nas últimas posições da tabela. A equipe conseguiu botar a cabeça para fora d’água apenas em função do “Caso Sandro Hiroshi”, em que o São Paulo perdeu pontos pela escalação irregular do atleta contra o clube gaúcho e contra o Botafogo.

Lúcio e Ronaldinho Gaúcho disputam a bola. Três anos depois seriam campeões da Copa do Mundo. Fonte: Zero Hora

Ainda assim, na última rodada do campeonato o Inter precisava desesperadamente de uma vitória para escapar da Série B. Não obstante, o colorado dependia ainda de resultados paralelos. O adversário final seria o Palmeiras, campeão da Copa Libertadores e com um elenco recheado de estrelas. Marcos, Arce, Zinho e Paulo Nunes eram comandados por Luiz Felipe Scolari e enfrentaram um Beira-Rio lotado com os nervos à flor da pele.

O contexto vermelho

O colorado vendeu ingresso ao valor de R$1 para tentar reconquistar uma torcida um tanto quanto desacreditada. O ano não era bom para o Inter. Para ser honesto, era uma decepão. No início da temporada, a diretoria trouxe Paulo Autuori e o craque Dunga para compor um elenco recheado de esperanças. O primeiro tombo veio já no Gauchão, em que o Inter foi arrasado por um jovem Ronaldinho Gaúcho. Na Copa do Brasil, perdeu vexaminosamente por 4 a 0 para o também gaúcho Juventude. A solução foi trocar de técnico. Valmir Louruz, justamente o treinador campeão com o clube caxiense, foi o escolhido, mas assim como Autuori e Dunga não rendeu o esperado.

Como última esperança veio Emerson Leão, o terceiro treinador da temporada. Leão sacou Dunga do time titular e tentou operar algum milagre. Sua jornada não ia muito bem e o clube, como já foi dito, precisava desesperadamente de uma vitória para escapar do rebaixamento.

O jogo

Quarta-feira, 21h e Márcio Rezende de Freitas – como se a situação já não fosse adversa o suficiente – apitou o início da partida. O jogo começou nervoso e os donos da casa foram direto para o ataque. O Palmeiras reagiu, organizado e em busca da classificação às quartas-de-final da competição. Com poucas chances de ambos os lados, o primeiro tempo acabou zerado.

O colorado voltou do intervalo sem alterações: João Gabriel; Denilson, Lúcio, Anderson e Gustavo; Enciso, Dunga e Claiton; Fabiano, Almir e Elivélton.

O Palmeiras voltou pressionando e o Inter segurava do jeito que dava. Os alto-falantes do Beira-Rio deixaram de atualizar os placares paralelos para não desmotivar os atletas e tudo parecia dar errado. Na casamata dos visitantes, um inquieto Felipão parecia fazer de tudo para rebaixar o Internacional. O Palmeiras pressionava cada vez mais os donos da casa e empilhavam chances perdidas – e defesas milagrosas, para sermos honestos. 

A torcida cantava, com uma inexplicável paixão e esperança que apenas o torcedor mais assíduo possui, contaminados pela magia do futebol, e empurrava o time para cima. Celso, que havia entrado no lugar do lateral Gustavo, aplicou um lençol e sofreu uma falta defronte ao gol.

Naquele o momento, o empate sem gols levava o Inter à Série B – o Botafogo havia vencido o Guarani e afundou ainda mais o clube gaúcho. Mas quisera o destino que o Clube do Povo seguisse na elite. Insatisfeito, quisera o destino que o capitão do tetra, de retorno ao seu clube formador e contestado, fizesse o gol da salvação.

Ao que tudo indicava, a cobrança seria direta. Celso posicionou a bola e ergueu por cima da barreira. Dunga apenas desviou, em um mergulho heroico, e garantiu o tento colorado. O Beira-Rio explodia aos 37 minutos do segundo tempo. O capitão, o salvador: Dunga.

Foto: Luiz Armando Vaz

O resultado superior dos donos da casa fez com que a pressão palmeirense se tornasse insuportável. Por cerca de dez minutos, os paulistas tentaram amargar o resultado vermelho. A pressão foi interrompida apenas na marca dos 46’, quando um refletor do estádio deixou de funcionar.

A paralisação durou quatorze minutos e a torcida pedia o fim do jogo. Leão já havia sido expulso, revoltado com a arbitragem, mas o Inter seguia no campo. Aos sessenta minutos, Pena, atacante do Palmeiras ficou cara a cara após confusão na área, mas a bola saiu por cima da meta de João Gabriel.

O Inter continuava na Série A. O Inter vencia todas as probabilidades e superava um ano terrível, um ano desastroso na memória do torcedor. E o herói tinha cara, nome e sobrenome: Carlos Caetano Bledorn Verri, mais conhecido como Dunga.

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