sexta-feira, 03/07/2020
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Baú do Bairrista: O ressurgimento do Pelotas

Fundado em 1908, o Esporte Clube Pelotas foi um dos primeiros campeões do Campeonato Gaúcho. No ano da primeira conquista, fez até aquilo que o Brasil não fez: derrotou o Uruguai em 1930. Passado quase um século, o Pelotas marcou o Rio Grande com uma das maiores rivalidades já vistas e passou por altos e baixos.

Em 2014, o clube presenciou uma grande queda, saindo de uma era de conquistas e presença na Série D do Campeonato Brasileiro para disputar a Divisão de Acesso do estadual. O rebaixamento marcou também uma crise financeira na Boca do Lobo e tempos difíceis se instauraram às margens do Canal de São Gonçalo.

O Pelotas amargou na divisão inferior em 2015 e acabou em quinto colocado. Ainda assim, o clube seguiu lutando e chegou às finais da Copa FGF. Na decisão, entretanto, quem venceu foi o Lajeadense. Enquanto o Anilado comemorava a vaga na Copa do Brasil do ano seguinte, o Pelotas saiu de mãos vazias.

Mais do que isso, o Pelotas passava por um crise de gestão. Ainda em fevereiro de 2015, o rival Brasil de Pelotas recebeu o Flamengo no Bento Freitas pela primeira fase da Copa do Brasil. Parte da arquibancada cedeu e o estádio foi interditado pelo Corpo de Bombeiros. Sem poder atuar em sua casa, o Brasil teve cedido pela FGF o estádio do rival. Assim, tanto Pelotas quanto Brasil de Pelotas passaram a jogar na Boca do Lobo.

Após a disputa do Gauchão, o Pelotas voltou atrás e afirmou que não poderia mais sediar as partidas do rival. Segundo a direção da época, o contrato causou “inúmeros transtornos internos, externos, comerciais e logísticos”, e o clube “entende que cumpriu sua obrigação como filiado”.

Brasil de Pelotas jogou como mandante na Boca do Lobo em 2015.

O rival enfim conseguiu a liberação de seu estádio, mas a novela ainda não havia acabado. Como o Bento Freitas seguia com as reformas, o estádio foi novamente interditado e coube ao Brasil pedir amparo ao rival mais uma vez. Por conta da crise, o então presidente do Pelotas, Flávio Gastaud, mostrou-se positivo ao aluguel da Boca do Lobo, mas os demais gestores não tiveram o mesmo pensamento. Sem clima, Gestaud renunciou e a decisão de não ceder a Boca do Lobo foi mantida.

Após a troca de gestão, o Pelotas bateu na trave. Classificou-se em primeiro no Grupo C da Divisão de Acesso e foi para a quadrangular final. Ficou atrás do Caxias no que seria o último ano em que apenas um clube era promovido. Naquele ano não teve Copa FGF e o sonho de retornar à elite gaúcha foi adiado.

Em 2017, o Pelotas caiu nas quartas de final para o Lajeadense. As esperanças foram todas depositadas na Copa FGF – naquele ano chamada de Paulo Sant’Anna. Chegou às semis e caiu de maneira trágica, perdendo nos pênaltis para o Aimoré.

Há três anos na segunda divisão estadual e mergulhado em uma crise financeira, o clube não estava em bons lençóis. A direção decidiu apostar no multicampeão do interior, Paulo Porto, e foi para o tudo ou nada. Classificou-se com êxito para a fase final e o primeiro adversário seria o Esportivo.

Na Montanha dos Vinhedos, os donos da casa abriram uma boa vantagem de 2 a 0 e jogaram toda a responsabilidade para os pelotenses. Não seria fácil, mas o Pelotas foi imponente na Boca do Lobo e goleou por 3 a 0. Com a vantagem, avançou às semifinais. Passou com facilidade do Inter de Santa Maria – duas vitórias – e reencontrou o Aimoré na grande final.

Pelotas e Aimoré pela final da Divisão de Acesso. Foto: FGF

Eliminado pelo Índio Capilé no ano anterior, o Pelotas queria vingança. O primeiro jogo foi no Cristo Rei e acabou com um tenso empate de um gol para cada lado. Ficou tudo para o jogo de volta. Além de estar há praticamente quatro anos longe da primeira divisão gaúcha, o Pelotas tinha na linha um jejum que durava 35 anos. Foi em 1983 que o Áureo Cerúleo venceu a Divisão de Acesso pela primeira e última vez.

A expectativa estava nas alturas e, com o clima de nostalgia e revanche, o Pelotas goleou o Aimoré. Com quatro gols dos quatro Gs – Giovane Gomez, Germano, Gustavo Xuxa e Giancarlo – o Lobo conquistava a Divisão de Acesso e estava de volta à elite do futebol gaúcho.

A partida começou com um Pelotas tranquilo, abrindo o placar logo aos 6’. Poucos minutos depois, Germano acertou na coruja e marcou um golaço. Na segunda etapa, mais um gol relâmpago. Antes dos 10’ o jogo já estava três a zero. Giancarlo fechou o placar após mais um passe para gol de Cléverson, um dos destaques da partida.

No segundo semestre e já com a vaga garantida para o Gauchão do ano seguinte, o Pelotas até começou bem a Copa FGF – intitulada Wianey Carlet -, mas passou vexame ao ser eliminado pelo Real de Capão da Canoa nas oitavas-de-final.

Ainda assim, o clima na Boca do Lobo era só de alegria. O Pelotas estava de volta à Série A e, para o cargo de comandante, trouxe Diego Gavillán, ex-jogador da Dupla Gre-Nal. No primeiro semestre, teve um desempenho mediano, ficando a dois pontos da classificação para a fase final do Gauchão. Ainda assim, conseguiu derrotar o Internacional no Beira-Rio logo na segunda rodada.

O segundo semestre manteve a boa forma do clube. O Pelotas chegou com facilidade à fase final da Copa FGF – intitulada Seu Verardi – e seguiu assim ao golear o Cruz Alta por um agregado de 6 a 0. Nas quartas, conseguiu um retumbante 4 a 1 contra o São Borja e, mesmo com a derrota na partida seguinte, o clube pelotense avançou. Nas semifinais o Lobão encontrou outro gigante do Rio Grande: o Caxias.

Quem conseguiu a vantagem foi o Pelotas ao vencer o clube da serra no Centenário com gol de Jean Roberto. Na partida de volta, o dono da casa precisava apenas conter o resultado de empate e foi o que fez. Matheus Santana abriu o placar para o Lobão e mesmo com o empate de Willian, o Pelotas estava confirmado na final.

A primeira partida seria na Boca do Lobo e o vencedor da chave oposta foi o São José. O dono da casa cumpriu o dever e fez 2 a 0. Na volta, o Zeca bem que tentou, mas a vitória por 1 a 0 não foi suficiente para tirar o título do Pelotas. Assim, em dois anos, o Lobão conseguiu conquistar dois títulos e acabar com a seca que assombrava a década.

Neste ano veio o terceiro título seguido. Nos pênaltis, o Pelotas venceu o Grêmio e conquistou a Recopa Gaúcha de 2020. No Gauchão, a campanha estava sendo mediana, ficando de fora da fase final da Taça Ewaldo Poeta.

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