segunda-feira, 26/10/2020
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Baú do Bairrista: Oito vezes! Inter Octacampeão Gaúcho

A década de 70 foi bondosa com o colorado. O clube rememora com carinho as conquistas dos anos hippies, de CBD e Médici. Não pelo contexto político, claro – afinal, o Clube do Povo não era a favor da repressão -, mas, sim pelas taças. Tricampeão brasileiro – único invicto da história em 1979! – com um elenco maravilhoso com Manga, Figueroa, Batista, Carpegiani, Falcão, Lula, Dadá Maravilha, Escurinho, Príncipe Jajá, Flávio Minuano, Valdomiro e muito mais.

A década marcou uma outra conquista inédita e até hoje inigualada. O Gauchão é, na atualidade, uma conquista de se orgulhar, mas à época era muito mais. Figueroa já comentou em diversas entrevistas que os títulos mais celebrados na capital eram os gaúchos e as vitórias em cima dos rivais. Neste espírito, percebe-se a importância que o Octacampeonato Gaúcho teve na história colorada – igualmente importante às conquistas nacionais.

Ainda assim, o Baú do Bairrista de hoje tem o intuito de destrinchar a vitória do Internacional na final do Gauchão de 1976, que coroou o clube com a sequência inédita de títulos no estado. O jogo, seja por alinhamento do destino ou por simples méritos das equipes, foi um clássico Gre-Nal, é claro.

Imagem da época revela o passado de vitórias do rival e o octacampeonato do colorado.

No passado, o Grêmio havia conseguido uma vantagem. Em 1956, o tricolor iniciou uma série de vitória que, se não fosse por uma pequena intromissão colorada, seria uma façanha de difícil rivalidade. Ao longo de treze anos, o Grêmio venceu doze Campeonatos Gaúchos. O Inter interrompeu a sequência em 1961, mas viu as próximas sete vitórias do rival estabelecerem um recorde de Heptacampeão.

Os títulos inauguraram o recente vestiário do Beira-Rio em 1969, com a capitania de Claudiomiro. A equipe foi se reforçando e seguiu com a saga de conquistas no estado. Em 1975, juntamente com a inédita conquista do Campeonato Brasileiro por um clube do Sul, o Inter igualou a marca gremista de Heptacampeão Gaúcho com gol de Flávio Minuano.

Chegando 1976, o colorado estava ansioso para vencer o Campeonato Gaúcho. A taça por si só já seria motivação suficiente para o clube, mas estava em jogo superar o rival em títulos consecutivos. O Inter precisava vencer.

A primeira fase do campeonato contou com atuações de gala. Com goleadas que lembravam o Rolo Compressor, o Inter venceu oito partidas e empatou uma com recorde de 24 gols marcados, uma média de quase três gols por partida. Na segunda fase, o clube repetiu a marca de oito vitórias em um empate, mas desta vez com 29 gols marcados, marca que supera os três gols por partida. A etapa ainda abrigou a maior goleada da história do Gauchão: Inter 14×0 Ferro Carril.

Nas fases finais, o Inter teve uma leve vantagem, mas sofreu a primeira derrota. No dia 28 de julho, o Grêmio venceu o colorado por 2 a 0 no Olímpico no que seria a única derrota do Clube do Povo na campanha. O Inter, ganhando os dois turnos do quadrangular final, foi para a finalíssima contra o rival precisando de uma vitória  em dois jogos. Era a quinta vez que um clássico Gre-Nal marcava uma rodada do estadual daquele ano.

Marcada para o dia 22 de agosto, o Beira-Rio estava lotado para ver mais um clássico Gre-Nal. Reforçado com Dadá Maravilha, que substituía o centroavante Flávio Minuano, o Inter era o favorito. Com toda a sua humildade, o jogador relembra: “Na minha época, o Inter era favorito e já sabia que tinha gol de Dadá. Eu dava até nome para os gols. Mas também, jogando ao lado de Falcão, Lula, Valdomiro… Vou perder para quem?”.

O primeiro tempo da partida foi nervoso e ficou no zero a zero. O ponta-esquerda Lula abriu o placar aos 14’ da segunda etapa e deixou o colorado mais perto do título. Sem imagens da época, cabe à memória de Dadá registrar o segundo gol da partida: “O Grêmio bateu um escanteio, eu cortei a bola e já saí correndo. O Vacaria deu para o Lula, que cruzou. Eu bati os beques na corrida e dei um chute embaixo da bola, que encobriu o goleiro. Todos pegaram no meu pé depois do jogo, dizendo que aquele gol não foi de Dadá, foi de Pelé. Eu não tinha categoria para fazer aquilo. Eu dava de bico, de canela e a bola entrava no fundo do gol. Mas daquela vez foi tanta categoria que até hoje eu não acredito”, contou o centroavante no auge de seus 74 anos à Zero Hora.

Dadá marcou um dos gols da vitória colorada. Foto: Agência RBS

A partida terminou com o 2 a 0 no placar e o colorado era Octacampeão Gaúcho. Com Manga; Cláudio Duarte, Figueroa, Marinho Peres, Vacaria; Caçapava, Falcão, Jair; Valdomiro, Dario e Lula, o comandante Rubens Minelli levou o Clube do Povo ao título inédito e imbatível – ao menos até os dias de hoje. 

Além das taças e das faixas, o feito colorado foi impressionante ao longo destes oito anos. Disputou 214 jogos, com 168 vitórias, 36 empates e apenas 10 derrotas, marcando 430 gols e sofrendo 76. Dez derrotas em oito campeonatos. Tudo isso graças às forças místicas do recém-construído Beira-Rio, certo? Ou seria, então, pela qualidade dos atletas com a camisa vermelha? Pelas táticas de Minelli? Pela presença de Falcão? Pela motivação da rivalidade? Talvez seja tudo isso. Talvez não seja nada. Mas isso não importa: o Inter é Octa!

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