sexta-feira, 18/09/2020
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Baú do Bairrista: quando o Novo Hamburgo mudou as capas dos jornais

O milênio têm sido de muitos títulos para a dupla Gre-Nal. O colorado conquistou duas Libertadores, um Mundial e uma Sul-Americana, enquanto o tricolor garantiu uma Libertadores e duas Copas do Brasil, cimentando, assim, a soberania da dupla no estado. Tal soberania era tamanha, que em 20 anos, apenas dois clubes conseguiram tirar o título gaúcho de um dos dois: o Caxias, em 2000, e o Novo Hamburgo, em 2017.

Depois de 16 anos de superioridade dos clubes da capital, o Novo Hamburgo decidiu dar um basta. O Anilado começou aquela temporada vencendo o Caxias por 1 a 0 e colando no topo da tabela com os três pontos recém conquistados. Desde então, não desgrudou, ficando em primeiro até o fim da primeira fase. Para tanto, o Nóia foi ao Beira-Rio na segunda rodada e bateu o Internacional após dois contra-ataques fulminantes. Na terceira e quarta rodadas, mais duas vitórias, sendo a última uma goleada de 4 a 1 em cima do Juventude. Depois, veio a vez do São Paulo de Rio Grande, que havia começado muito bem o Gauchão, receber uma goleada. Conrado, Jardel e Cleylton foram os responsáveis por marcar no Aldo Dapuzzo e selar a vitória por 3 a 1. 

Seis rodadas se passaram e o Nóia seguia imbatível. Contra o Passo Fundo, o atacante João Paulo marcou duas vezes, assim como o zagueiro Júlio Santos – que segue no clube até hoje. Com o 4 a 1, o Novo Hamburgo seguiu para o confronto contra o Cruzeiro, fora de casa, e veio então a primeira derrota – com placar magro, claro: 1 a 0. 

Abalado, o clube alviazul perdeu de novo, desta vez para o Ypiranga do atacante Talles Cunha, autor de um dos dois gols da equipe de Erechim. Já pela nona rodada veio o segundo encontro com um dos grandes. O Anilado recebeu o Grêmio no Estádio do Vale e a partida terminou empatada em 1 a 1, após Léo Moura fazer para o tricolor aos 45’ do segundo tempo.

Nas duas últimas rodadas, o Novo Hamburgo empatou contra o Brasil de Pelotas e venceu o Veranópolis, confirmando a classificação em primeiro lugar com 23 pontos. O Anilado ficou à frente de Cruzeiro (20), Caxias (19), Grêmio (17), Veranópolis (15), Juventude (14), Internacional (14) e São José (13).

O clube do Vale dos Sinos venceu o São José nas duas partidas por 1 a 0 e classificou-se para a semifinal. O adversário seria o Grêmio, que chegava embalado após uma agregado de 7 a 0 em cima do Veranópolis. Mas o Nóia era bravo. No primeiro jogo, disputado na Arena, Ramiro abriu o placar para o tricolor, mas Juninho empatou para os visitantes oito minutos depois.

Com o empate, a decisão ficava para o Estádio do Vale e quem começou na frente foi o Grêmio com Lucas Barrios. Nos minutos finais, o zagueirão Júlio Santos empatou e levou o jogo para os pênaltis. De frente para a goleira, não estavam apenas os cobradores, mas, sim, a chance do Novo Hamburgo jogar uma final de Campeonato Gaúcho depois de 55 anos. João Paulo acertou para o time da casa e Maicon fez o mesmo. Na cobrança seguinte, Preto errou, deixando o técnico Beto Campos apreensivo. Barrios acertou para o tricolor e mais uma vez o Novo Hamburgo desperdiçou, desta vez com Assis. No que parecia perdido, surgiu um brilho de esperança quando Lincoln errou a meta. Léo acertou para o time da casa e Matheus defendeu o tiro de Pedro Rocha: tudo igual na disputa de pênaltis. Nas cobranças seguintes, quatro acertos consecutivos para cada lado. No nono chute, Matheus defendeu a cobrança de Walter Kannemann e Amaral converteu para o Novo Hamburgo fazer a festa.

Novo Hamburgo bateu o Grêmio nos pênaltis e foi à final do Gauchão depois de 55 anos.

Do outro lado da chave, mais uma disputa de pênaltis: o Internacional passou pelo Caxias após Keiller, que entrou em campo com a lesão de Marcelo Lomba, defender uma das cobranças do clube da serra. Classificado, estava definida a final: o Novo Hamburgo iria enfrentar o Internacional.

O primeiro jogo aconteceu no Beira-Rio e, assim como na fase de grupos, o Nóia saiu assustando. Logo no primeiro minuto, Júlio Santos carimbou a trave colorada e, aos 17’, João Paulo, de cabeça, abriu o placar. O Internacional cresceu no jogo e quase empatou com chute forte de D’Alessandro no canto, mas nada feito e Anderson Daronco apitou o final de primeiro tempo. O treinador Antônino Carlos Zago decidiu mudar no colorado e tirou o volante Anselmo para botar em campo o meia-atacante Roberson. Em sua primeira jogada, aos 7’, Roberson chutou e Júlio Santos tentou tirar em cima da linha, mas a bola bateu no goleiro Matheus e entrou. Tudo igual em Porto Alegre. O Inter passou a dominar a partida e empilhou chances, mas foi o Novo Hamburgo, novamente de cabeça, que marcou. Assis superou a defesa colorada e deixou o time visitante com a vantagem no placar. Poucos minutos depois, Roberson saiu de campo lesionado e o empate veio somente 37’. D’Alessandro e Nico López combinaram para um belíssimo gol do uruguaio. A partida ainda contou com a lesão de Keiller, terceiro goleiro do colorado, que substituía os também lesionados Lomba e Danilo Fernandes.

Sem a vantagem do gol fora, ficou para o Estádio do Vale a grande decisão. No lado do Novo Hamburgo, a única alteração foi Preto, que voltara ao time titular no lugar de Renan Ribeiro. Já no lado vermelho, Danilo Fernandes, ainda em recuperação de uma fratura no pé, jogou no sacrifício e Ernando foi escalado na lateral-esquerda em uma tentativa de Zago de fortalecer a bola aérea – percebe-se hoje, com toda certeza, que a escolha do treinador colorado foi equivocada. 

Quem começou atacando foi o Novo Hamburgo, que quase marcou com João Paulo logo aos 2’. O o colorado levou perigo em cobrança de falta de D’Alessandro, mas não fez muito mais. O Nóia cresceu no jogo e conseguiu abrir o placar aos 24’ quando Ernando fez contra, cabeceando contra a própria meta – justo ele que deveria trazer mais solidez no jogo aéreo. Zago reconheceu seu erro e no intervalo substituiu o zagueiro/lateral pelo atacante Carlos. Logo aos 3’ do segundo tempo, D’Alessandro levantou bola na área anilada e, após bate e rebate, Rodrigo Dourado igualou o marcador. O Inter passou a empilhar chances mas não conseguiu converter devido a uma excelente defesa do Novo Hamburgo – compacta e sólida. A partida rumou às penalidades, assim como aconteceu nas duas semifinais.

Por mais esperançoso que fosse qualquer torcedor alviazul, não esperava-se tamanho descaso por parte do colorado. D’Alessandro e Cuesta mandaram no travessão, ao passo que João Paulo acertou e Léo errou. Com 2 a 1 nas cobranças, a estrela de Matheus brilhou novamente. O goleiro do nóia defendeu a cobrança de Nico López e deu a vantagem para o clube do Vale. Júlio Santos fez a sua parte e agora o Novo Hamburgo contava com um erro colorado ou com apenas mais uma cobrança correta de seus marcadores. William acertou para o Inter, mas Pablo converteu e correu para o abraço.

Inédito! O Novo Hamburgo é campeão!

Era inédito! Era o história! O Novo Hamburgo conquistava seu maior título desde a fundação. Com uma campanha impecável – apenas duas derrotas e diversas goleadas aplicadas -, o Nóia foi campeão com todos os méritos, ainda que de forma inesperada.

Beto Campos fez no Rio Grande aquilo que apenas um outro técnico fez no milênio: tirar o título da dupla Gre-Nal. E o outro técnico? Tite, apenas o treinador da Seleção Brasileira. As palavras do atacante João Paulo descrevem bem o momento: o Novo Hamburgo mudou as capas dos jornais.

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