quarta-feira, 08/07/2020
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Baú do Bairrista: tensão contra a Estrela Solitária

O Grêmio passou por maus bocados recentemente. Depois de iniciar o milênio com uma nova taça, o tricolor entrou em uma escassez de títulos frustrante. Foi somente com a chegada de um velho ídolo que o Imortal chegou ao topo novamente. Renato Portaluppi assumiu um Grêmio que vinha embalado e conquistou a quinta Copa do Brasil da história do clube.

2016 foi apenas o começo do que ainda estava por vir na nova Era do tricolor. O ano seguinte começou com o pé direito. O Grêmio até pode não ter vencido o Gauchão – o Novo Hamburgo foi soberano naquele estadual -, mas teve uma campanha memorável na fase de grupos da Libertadores.

O clube gaúcho ficou em primeiro no Grupo 8, com direito a goleadas e até mesmo hat-trick do recém chegado Lucas Barrios. O Grêmio era embalado por um Luan no auge de sua qualidade técnica e a dupla Geromel e Kannemann eram donos da defesa.

Chegando à fase mata-mata, tudo é possível na Libertadores. O tricolor dos pampas foi sorteado com os argentinos do Godoy Cruz. Que o Grêmio era mais time não havia dúvida, mas nunca se deve contar com a vitória antes da hora. Ainda assim, os gaúchos abriram o placar fora de casa com menos de um minuto e seguraram o resultado.

Era só fazer o dever de casa e manter o desempenho na Arena. O Godoy Cruz surpreendeu e marcou logo aos 14’. Com tudo igual, os donos da casa precisavam entrar no jogo. Pedro Rocha brilhou e marcou duas vezes, garantindo o tricolor na próxima fase. Curiosamente, aquele seria o último jogo do meia-atacante com o Grêmio na Libertadores – Pedro Rocha foi negociado com o Spartak de Moscou em agosto daquele ano.

A decisão antecipada

Nas oitavas-de-final, seis dos dezesseis clubes da Libertadores eram brasileiros. Ao final da etapa, restavam apenas três: Grêmio, Santos e Botafogo. O tricolor foi sorteado com os cariocas, enquanto o Santos estava do mesmo lado da chave contra o Barcelona de Guayaquil. 

O primeiro jogo seria no Rio e o Grêmio, desfalcado, era escalado com Grohe; Edílson, Bressan, Kannemann, Cortez; Jaílson, Arthur, Ramiro, Léo Moura, Fernandinho; Barrios. Em um Nilton Santos lotado, Botafogo e Grêmio fizeram um duelo duro sem gols. Os donos da casa bem que bateram na trave – literalmente – mas o jogo ficou no zero a zero.

Uma semana depois, o confronto seria em Porto Alegre. Não havia favoritismo e o Grêmio tinha o capitão Geromel retornando de lesão. A torcida tricolor fez a sua parte e lotou a Arena. O time da casa começou assustando logo aos 4’ com chute de Cortez. Três minutos depois, o Botafogo respondeu em um confuso ataque na pequena área do Grêmio. Equilibrado, o jogo apresentava mais emoções do que a partida do Rio à medida que Fernandinho acertava no travessão aos 20’.

O lance seguinte calou a Arena. Kannemann em uma jogada rara errou na saída de bola e deixou Rodrigo Pimpão com a ala direita livre. O atacante ainda cortou o zagueiro argentino, mas chutou em cima de Marcelo Grohe. O Grêmio novamente saiu errado e foi a vez da Estrela Solitária carimbar a trave. Bruno Silva, de longe, acertou uma bomba no poste. Era lá e cá, mas a equipe visitante crescia cada vez mais.

Aos 32’, Grohe fez uma defesaça em cobrança de falta perigosa de Victor Luis e cravou a superioridade do Botafogo no jogo. A paciência de Renato Portaluppi chegou ao fim e o técnico tirou Léo Moura para a entrada de Everton. A alteração não surtiu efeito no primeiro tempo, que ainda teve mais uma chance do Glorioso.

A torcida pedia pela entrada de Luan, mas o meia seguiu no banco de reservas, ainda não recuperado de lesão. Não se sabe o que aconteceu no vestiário, mas o Grêmio voltou com outra postura para a segunda etapa. Logo no primeiro minuto, em uma disputa de paraguaios, Lucas Barrios cabeceou e fez com que Gatito Fernández operasse um milagre.

O Grêmio estava mais agressivo e tornou-se soberano no jogo. O comandante do tricolor no campo era o paraguaio Barrios, que, aos 18’ do segundo tempo, finalmente superou seu compatriota. Em cobrança de Edílson, o atacante superou a zaga botafoguense e marcou o gol da vitória tricolor.

Os cariocas se jogaram para o ataque, mas o Grêmio postava uma verdadeira barreira defensiva. O Botafogo assustou em alguns ataques, mas a noite era do tricolor. Todas as bolas alçadas na área eram expulsas pelo ímpeto gremista. E assim foi até o fim da partida. O Grêmio vencia o Botafogo e estava nas semifinais da Copa Libertadores.

Na mesma chave, o Barcelona de Guayaquil eliminou o Santos e fez do Grêmio o único brasileiro restante na competição. O resto da competição, todos sabemos: milagre de Grohe contra os equatorianos, goleada e show de Luan contra o Lanús. Ah, e, claro, o Tri da América.

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