quarta-feira, 08/07/2020
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Caminho da Glória: O fim do jejum gremista

No dia 7 de dezembro de 2016, em uma Arena lotada, o Grêmio empatava com o Atlético-MG por 1 a 1 e encerrava um dos jejuns mais dolorosos da história gremista. Sendo pentacampeão da Copa do Brasil.

Para encerrar com o sofrimento de 15 anos, o tricolor sobe o comando de Renato Portaluppi, passou por grandes adversários para chegar até o título. Confira agora no Caminho da Glória, como foi a campanha gremista para conquistar o troféu:

Por ter participado da Copa Libertadores da América de 2016, o Grêmio estreou nas oitavas de finais da competição. O primeiro adversário na trajetória do pentacampeonato, foi o sempre complicado Atlético Paranaense.

O primeiro passo:

Ainda comandado por Roger Machado o tricolor estreou na Copa do Brasil no fim de agosto, enfrentando o CAP na Arena da Baixada. A primeira partida foi marcada pelo o que seria o estilo gremista de jogo nos futuros títulos. O Grêmio controlou o ímpeto dos donos da casa, trocando passes e tendo sempre o controle da posse de bola. Logo no início da partida, em uma jogada bem trabalhada, Douglas de calcanhar, deixou Miller Bolaños na cara do gol, o equatoriano não perdoou e abriu o placar. Com a vitória por 1 a 0, a equipe de Roger Machado já estava com um pé nas quartas de finais.

Douglas deu lindo passe para Bolanõs marcar o gol da vitória

Um novo começo:

1 mês depois da partida de ida, muitas coisas mudaram na vida dos dois clubes. Dessa vez era o Grêmio que se encontrava em crise no Campeonato Brasileiro. Roger Machado que era o comandante na vitória gremista por 1 a 0 pela primeira partida, já não era mais o técnico da equipe. O jogo decisivo de volta na Arena, marcava o início da 3° passagem de Renato Portaluppi como treinador do clube.

Sem muitas chances de conquistar o Brasileirão, a Copa do Brasil era o sonho de todos os gremistas. A nação tricolor já não aguentava mais os anos sem títulos, o jejum precisava acabar em 2016. Portanto na estreia de seu maior ídolo como novo treinador, o Grêmio embalado por Luan pressionou o CAP, mas abusou das oportunidades perdidas de gol.

Aos 30 minutos do primeiro tempo, o Atlético PR que ainda não havia chegado com perigo no gol de Marcelo Grohe, acabou achando um gol salvador. Hernane chutou fraco na direção de Grohe, mas o goleiro gremista se atrapalhou e acabou soltando a bola nos pés de André Lima, que marcaria para os paranaenses.

O gol achado pelo rival atormentou a equipe de Renato Portaluppi. Um Grêmio visivelmente nervoso, com medo de perder mais uma oportunidade de título, não conseguia controlar o jogo. O que era para ser uma partida fácil, se tornou em um verdadeiro drama para os gremistas. Com a derrota por 1 a 0, a vaga para às quartas de finais seria decidida nas penalidades máximas. Caberia a Marcelo Grohe que falhou no gol do Atlético, se recuperar na decisão e salvar o ano

Chegando ao fim das alternadas, Kannemann isolou sua cobrança de pênalti. O que preparou todo gremista para sofrer por mais um ano sem títulos. O que faltava para confirmar o sofrimento tricolor, era o Atlético Paranaense converter o último pênalti e se classificar para a fase seguinte. Juninho já se preparava para cobrar, mas o herói da partida, o goleiro Weverton, chamou a responsabilidade para si e quis bater. Afinal, o arqueiro foi o grande responsável pela equipe ter chegado até a decisão pelas penalidades máximas, com suas grandes defesas no primeiro tempo.

Goleiro contra goleiro. Weverton contra Marcelo Grohe. Herói contra vilão. De um lado o goleiro que tinha feito grandes defesas na partida e do outro lado um goleiro que tinha falhado no gol do adversário. Mas tudo no futebol muda muito rápido, e segundos depois, Grohe defendia a 3° cobrança na decisão por pênaltis e evitava o fim do sonho gremista.

Na sequência, Guilherme converteria para o Grêmio e Paulo André acertaria a trave. O que estava tão longe aconteceu. Grohe virou herói, e o tricolor seguiu vivo na árdua missão de acabar com o jejum de títulos.

Grohe foi o grande herói da classificação gremista

O velho conhecido Palmeiras:

Após a emocionante classificação para as quartas de finais, Renato Portaluppi trouxe todo o foco de seu grupo para um único objetivo: Acabar de uma vez por todas com o jejum. Somente o maior ídolo gremista seria capaz de tamanha responsabilidade. Como foi mostrado na fase anterior, “quebrar essa maldição” não seria nada fácil. Se foi uma batalha passar por cima do CAP, para seguir vivo no sonho de ser campeão, o Grêmio teria que superar um velho conhecido em Copas: O velho rival dos anos 90, Palmeiras.

Com a coragem de não se intimidar para o líder do Brasileirão, o Grêmio sufocou o Palmeiras a todo momento. Aos 32 minutos da primeira etapa, Ramiro fez o golaço de sua vida. Em uma finalização cheio de efeito, o volante fez mágica e incendiou a Arena. Motivados pelo golaço de seu companheiro, o time gremista continuou pressionando o rival paulista, e dez minutos depois ampliou a vantagem. Em cobrança de falta, Luan achou Geromel, o zagueiro cabeceou na trave, e no rebote, Pedro Rocha fez 2 a 0 Grêmio.

No início do segundo tempo, Grohe cometeu pênalti em cima de Gabriel Jesus. Zé Roberto  não desperdiçou a chance e diminuiu para o Palmeiras. Mesmo com o gol sofrido, o Grêmio seguiu jogando melhor, fazendo por merecer o terceiro gol. Ao fim da partida, o torcedor tricolor presenciou a equipe de Renato Portaluppi muito superior, porém com uma pequena vantagem para o jogo da volta, fazendo com que a ansiedade tomasse conta de todos os torcedores gremistas.

Vitória gremista passou por grande atuação de Ramiro

Já era esperado uma pressão do Palmeiras na partida de volta. Afinal, a equipe de Cuca era no momento o melhor time do Brasil. Porém, o alviverde foi além disso. O velho rival pressionou o Grêmio da mesma maneira que sofreu na Arena, controlando a partida em todos os momentos.

Tamanha pressão resultou no gol que levava o atual campeão da Copa do Brasil para as semifinais da competição. Aos cinco minutos do segundo tempo, Thiago Martins cabeceou sem chances para o goleiro Bruno Grassi, que substituía Marcelo Grohe naquela noite.

Com a eliminação em sua porta, o Grêmio acordou para a partida. Renato mandou sua equipe para frente, e o tricolor começou a criar oportunidades de perigo ao gol palmeirense. E aos 30 minutos do segundo tempo, Douglas achou Everton dentro da área. Na época, Cebolinha ainda não era titular da equipe, o atacante ainda estava atrás de Pedro Rocha e Luan na equipe. Porém, o atacante deu seu primeiro sinal de craque com a camisa tricolor. Em uma linda jogada individual, Everton “bailou” com o marcador e chutou forte no canto direito de Jailson.

Com o empate por 1 a 1, Renato Portaluppi levava o Grêmio até as semifinais, e agora faltavam 4 jogos para o fim do jejum.

Everton brilhou e classificou o Grêmio para a semifinal

O duelo do Rei de Copas:

A história do Grêmio até então na competição não tinha sido nada fácil. Classificação nas penalidades máximas contra o CAP, e na sequência o tricolor teve que superar a melhor equipe do Brasil.

E pela semifinal o caminho continuou árduo para a equipe gremista. O adversário agora era um clube com a mesma tradição em copas, e com um dos melhores elencos do país: O Cruzeiro de Mano Menezes.

Se hoje o azul celeste de Minas Gerais está em crise, na época o clube começava a formar a base do time que seria bicampeão da Copa do Brasil, portanto, era um grande rival na vida gremista.

Mas como foi dito antes, Romildo Bolzan, Renato Portaluppi e todos os atletas gremistas sabiam que a missão de encerrar o jejum não poderia ser fácil. Contra qual adversário tivesse que ser, o Grêmio trataria de supera-lo para voltar a ser campeão. E que bela superação…Em uma atuação exuberante, o Tricolor passou por cima do Cruzeiro, vencendo a partida de ida por 2 a 0, em pleno Mineirão lotado de cruzeirenses.

Aos 19 minutos da primeira etapa, após o Grêmio ficar com a bola por mais de 1 minuto, Luan autor de tantos golaços pela camisa gremista, fez uma pintura no Mineirão. O craque chutou colocado no ângulo, sem chances alguma de defesa para o goleiro Renan.

O time de Renato estava inspirado, se Luan deu uma aula de artes, na segunda etapa a equipe gremista daria uma aula de contra-ataque. Marcelo Oliveira cortou, Ramiro lançou, e Douglas de dentro da área finalizou seco, novamente sem chances de defesa para o goleiro do Cruzeiro. Grêmio 2 a 0 e com um pé na grande final.

Luan abriu o placar com um golaço

Na partida de volta, em uma Arena lotada, os gremistas presenciaram uma atuação segura e sólida. A equipe de Mano Menezes sequer chegou perto do gol defendido por Marcelo Grohe, e dessa vez sem muito sofrimento, o Grêmio conquistava mais uma vez a classificação para a fase seguinte. O tricolor estava na final da Copa do Brasil.

Grêmio confirmou sua classificação para final em uma Arena lotada

 

O fim do Jejum:

O pentacampeonato do Grêmio tem uma história perfeita. O destino não poderia escolher melhor os adversários para deixar a história mais rica. De superação nos pênaltis contra o CAP, melhor equipe do brasil contra o Palmeiras, duelo de tradição contra o Cruzeiro, o novo adversário na final era a equipe brasileira mais vencedora nos últimos anos: O Atlético Mineiro.

Além de contar com Victor, Leonardo Silva, Robinho e Lucas Prato o Galo sempre contava com o seu fator casa invejável. Poucos clubes no Brasil conseguiam superar o Atlético em sua casa, portanto, o sonho do torcedor gremista era “voltar vivo” para a grande final na Arena.

Mas nada disso, um Grêmio que tinha superado tantos obstáculos na competição, não iria “se acadelar” na grande final. E assim como foi contra o Cruzeiro, o tricolor novamente calou o Mineirão em uma atuação exuberante.

A equipe de Renato explorou sua principal característica que era a posse de bola, e controlou a partida. O Atlético Mineiro não conseguia incendiar o jogo com seu ritmo alucinante que geralmente impõe dentro de casa, se perdendo cada vez mais psicologicamente. O Grêmio se aproveitava e “mandava” na final, o que se intensificou aos 29 minutos, quando Maicon com um brilhante passe deixou Pedro Rocha na cara do gol. O atacante não desperdiçou e abriu o placar. O Galo se perdeu com o gol gremista, a partir daí o tricolor criou diversas chances, e graças a Victor, não saiu ganhando por uma goleada ainda no primeiro tempo.

Na segunda etapa o Grêmio seguiu controlando a partida, e aos 9 minutos, Pedro Rocha garantiu sua estatua em Porto Alegre. O atacante dessa vez passou por três adversários, entrou na área e não desperdiçou, finalizando bonito no canto de Victor. Grêmio 2 a 0, o título estava chegando.

Pedro Rocha brilhou na partida de ida

O Atlético Mineiro chegou a planejar uma reação no maior estilo “eu acredito” que embalou a sua fiel torcida na Libertadores de 2013. Aos 36 minutos de jogo, Gabriel fez um verdadeiro golaço, diminuindo para os mineiros. O Mineirão explode e o Galo vem pra cima do tricolor, buscando o empate. Mas o elenco gremista que acabaria com o pior jejum da história do clube era frio o suficiente para encarar essa pressão. Não somente encarar e supera-la, como capaz de criar um contra-ataque e marcar o terceiro gol.

O zagueiro Pedro Geromel, ou melhor dizendo, o super jogador Geromel, puxou um contra-ataque espetacular sozinho. O ídolo gremista recuperou a bola no campo de defessa e arrancou até o ataque, fez um cruzamento perfeito para Everton que finalizou forte. Grêmio 3 a 1.

Everton marcou o terceiro gol gremista, após grande jogada de Geromel.

O dia da grande decisão na Arena ficou marcado para sempre na história do futebol brasileiro. Não pelo fim do jejum gremista, e sim pelo o que ela presenciou antes da partida. As lágrimas pela festa tão aguardada, rolaram antes mesmo do o apito inicial. E por um motivo bem mais nobre, em meio a uma dor ainda recente, capaz de transcender qualquer sentimento por futebol. Gremistas e Atleticanos, no gramado e nas arquibancadas, se abraçaram e ficaram em um silêncio absoluto que ecoou por toda a Arena, para homenagear as vítimas da tragédia do avião da Chapecoense.

Homenagem às vitimas da tragédia do acidente aéreo

Para encerrar de vez por todas o sofrimento gremista, Renato Portaluppi escalou os seguintes jogadores que ficariam marcados na história tricolor: Grohe, Edilson, Geromel, Kannemann e Marcelo Oliveira; Wallace, Maicon, Ramiro, Douglas e Everton; Luan

O Grêmio estava com a mão na taça, é verdade. Mas para combinar com a história gremista de 113 anos, a grande decisão da Copa do Brasil foi um verdadeiro sofrimento. O  primeiro tempo foi dominado pelo Atlético-MG. O Galo tomou a iniciativa da partida desde o início, como já era esperado. Pratto e Luan assustaram em chutes de fora da área, enquanto Júnior Urso e Robinho chegaram perto do gol com cabeçadas, fazendo com que todos os gremistas espalhados pelo mundo sofressem.

Na segunda etapa, O Atlético foi para o tudo ou nada. Colocou Maicosuel e Cazares nos lugares dos volantes Júnior Urso e Leandro Donizete. Nem assim foi possível furar o bloqueio tricolor. Sob o comando dos zagueiros Pedro Geromel e Kannemann, a defesa do time de Renato segurou firme a bronca lá atrás até os 43 minutos. Até que em um contra-ataque fulminante, Miller Bolaños aproveitou a sobra e fez o gol tricolor, fazendo a Arena explodir. Na sequência, Cazares fez um golaço de trás do meio campo, mas pouco importava.

Bolaños marcou o gol do título gremista

Foram 15 anos de jejum. Foram 15 anos de angústia. Foram 15 anos de um grito engasgado. Foi preciso sofrer nos pênaltis contra o CAP, lutar contra o Palmeiras, brilhar contra o Cruzeiro, e na final foi preciso superar a pressão de toda uma década.

Foi esse o caminho do Grêmio que tirou o clube de um verdadeiro inferno para iniciar um novo ciclo de conquistas na história do clube. A eterna Copa do Brasil de 2016.

 

 

 

 

 

 

 

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