sexta-feira, 03/07/2020
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Caminho da Glória: O primeiro Brasileirão do Inter

Em 1975 o Inter marcou história e ultrapassou as fronteiras do RS para ser campeão nacional pela primeira vez. O clube estava pronto para surpreender a imprensa do eixo e ser o primeiro clube do sul a ser campeão. Sobe os comandos do brilhante Rubens Minelli o colorado contava com craques como: Figueroa, Falcão, Carpegiani e Valdomiro. Mas para chegar até ao título, o Inter passou por grandes adversários, como a máquina tricolor e o Cruzeiro de Nelinho e cia. Confira agora no Caminho da Glória, como foi a campanha histórica do colorado na busca pelo primeiro título nacional.

O Campeonato Brasileiro de 1975 contava com 42 clubes buscando pelo título. Pela primeira fase da competição, o Inter estava no Grupo D, onde tinha como principais rivais o São Paulo e o Vasco da Gama. Em 11 partidas disputadas, a equipe de Rubens Minelli venceu oito jogos, empatou por duas vez e perdeu somente uma partida, conquistando a classificação em 1° lugar com 23 pontos. O destaque colorado na primeira etapa da competição foi certamente sua forte defesa. Nos onze jogos disputados, o futuro campeão sofreu apenas 5 gols, reflexo das atuações dos craques como Manga e Figueroa.

Na segunda fase do campeonato, o Inter entrou no grupo 2. São Paulo e Vasco novamente eram companheiros de Falcão nessa nova fase, assim como Flamengo e o eterno rival Grêmio. A equipe de Rubens Minelli novamente conquistou a primeira colocação do grupo, desta vez com cinco vitórias, quatro empates e apenas uma derrota.

Pela terceira fase da competição, restavam apenas 16 times. Foram separados oito equipes em cada grupo, os dois classificados jogariam as semifinais do campeonato. O Inter ainda contava com a companhia de grandes adversários como São Paulo, Flamengo e Grêmio. Porém, o grande rival do colorado na terceira etapa do Brasileirão, foi o surpreendente Santa Cruz. O clube pernambucano foi o líder do Grupo B com 14 pontos, já a equipe de Rubens Minelli ficou na segunda colocação, com 12 pontos conquistados.

Classificado para a semifinal, o Inter iria para o seu confronto da década naquele momento, talvez até mesmo o grande jogo de sua história: O colorado enfrentaria a maquina tricolor, o Fluminense de Rivelino.

Rivelino era o grande craque do Fluminense

Apesar de ser campeão gaúcho desde 1969, contar com grandes jogadores e um excelente técnico, o favoritismo estava todo para o clube carioca. A imprensa nacional já colocava o Fluminense na final do campeonato, chegando até mesmo brincar, que os times do sul sempre morriam na praia. Motivados a calar a boca do eixo, o Inter foi com sangue nos olhos ao Rio de Janeiro para derrotar um rival que seria apoiado por mais de 90 mil pessoas no Maracanã.

Destinados a fazer história, o Inter travou a máquina tricolor. Em um jogo que não valia só a vaga para a final do campeonato, e sim, mostrar para todo o Brasil, que a melhor equipe do país estava no sul. O colorado dominou a partida desde o apito inicial, fazendo com que um Maracanã lotado, ficasse em um silêncio de teatro europeu. Rivelino, o grande craque do Fluminense e da copa de 70, foi anulado por Caçapava. O cão de guarda colorado que não contava com a técnica de Falcão ou Carpegiani, seus companheiros de meio campo, foi o destaque vermelho da partida, por sua enorme raça e determinação, para parar um dos melhores jogadores da história de nosso futebol.

Caçapava anulou Rivelino na partida decisiva

Aos 33 minutos do primeiro tempo, Falcão com um brilhante passe, deixou Lula na cara do gol. O ótimo ponteiro esquerdo não desperdiçou, e com um chute forte, abriu o placar para o Inter. Já aos 29 minutos da segunda etapa, o craque Carpegiani recebeu de dentro da área, e com uma frieza digna da melhor equipe do país, tocou por cima do goleiro. 2 a 0, e a equipe de Rubens Minelli estava na final do Brasileirão.

Na volta a Porto Alegre, os jogadores foram recebidos por uma multidão de colorados no aeroporto Salgado Filho, um feito inovador para a época. O Inter estava mais do que pronto para fazer história e ser campeão brasileiro, mas ainda faltava um grande adversário. Na final, o rival seria a excelente equipe do Cruzeiro.

Inter e Cruzeiro são protagonistas de grandes partidas na década de 70, fazendo com que o confronte entre Gaúchos e Mineiros se tornasse um grande clássico no futebol. Dono da melhor campanha, o colorado tinha o privilégio de decidir o título dentro de um Beira-Rio lotado.

Inter e Cruzeiro fizeram grandes confrontos na década de 70

No dia 14 de dezembro de 1975, dias antes do Natal, 82 mil colorados presenciaram um dos maiores jogos da história do Inter. Uma das maiores finais da história do futebol brasileiro. Inter x Cruzeiro. Manga x Nelinho. Figueroa x Palinha. Falcão x Piazza, que confronto incrível foi a final daquele campeonato.

Jogando em casa, o Inter começou atacando o Cruzeiro em busca do primeiro gol. Mas o grande rival do outro lado não iria se contentar em apenas se defender, o time mineiro atacava o colorado na mesma proporção que era atacado, fazendo uma grande final. A equipe de Rubens Minelli criava grandes jogadas coletivas, já o Cruzeiro atacava com jogadas individuais de Nelinho e Palinha, obrigando Manga a fazer uma de suas maiores atuações em sua brilhante carreira.

Seja em chutes de longe, em cobranças de falta, em escanteios, o arqueiro colorado dos dedos tortos, se superava a cada defesa. Manga mostrou naquele domingo que nada faria o Inter tomar gol. Seja qual fosse o adversário ou a jogada, o goleiro se transformaria em uma verdadeira muralha colorada e evitaria a felicidade do inimigo.

Manga fez diversas defesas na final contra o Cruzeiro

O colorado não contava somente com o goleiro Manga como grande destaque no setor defensivo, outro atleta responsável pelo grande desempenho na zaga colorada, tido até mesmo como melhor zagueiro do mundo: O chileno Figueroa.

E se o Inter tinha no seu goleiro o melhor jogador da partida, o gol do título histórico viria do maior zagueiro de sua história. Ao 11 minutos do segundo tempo, Piazza fez falta em Valdomiro ao lado da área. O próprio Valdomiro ajeitou a bola para a cobrança. O atacante bateu com perfeição, e a bola foi parar em Figueroa, que subiu mais alto que a zaga cruzeirense e desviou de cabeça, marcando o gol que ficaria para a história. O gol mais iluminado de todos os tempos do Beira-Rio. Porto Alegre vivia uma tarde de domingo nublada, mas exatamente no local em que subiu Figueroa, no exato momento de sua cabeçada, surgiu um rastro de luz iluminando o que seria na época o gol mais importante da história colorada até aquele momento.

O gol iluminado

A campanha colorada:

30 jogos

19 vitórias

8 empates

3 derrotas

51 gols pró

12 gols contra.

 

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