quinta-feira, 09/07/2020
Início Tricolor Campanha da Glória: a Libertadores de 1995

Campanha da Glória: a Libertadores de 1995

O ano de 1995 começou bem para o tricolor. Embalados com o título da Copa do Brasil em 94, o Grêmio despontou no Campeonato Gaúcho e se classificou com facilidade para a segunda fase. O calendário apertado ainda abrigava a Copa do Brasil e a Copa Libertadores, competições nas quais o tricolor também brilharia. Com tanta demanda, muitas vezes utilizava-se um time misto ou reserva sob o comando de Luiz Felipe Scolari no Gauchão, priorizando as demais partidas.

A equipe titular contava com Danrlei no gol; Arce, Luciano, Adílson Batista e Roger na defesa; Dinho, Goiano, Carlos Miguel e Arílson no meio; Paulo Nunes e Jardel no ataque. No banco de reservas, nomes como Emerson, Vagner Mancini, Alexandre, Nildo e Magno marcavam presença. Ao longo da temporada, o tricolor se reforçou com um zagueiro da Seleção Paraguaia: Catalino Rivarola chegaria em junho daquele ano para compor a zaga titular ao lado do capitão Adílson.

Danrlei; Arce, Rivarola, Adílson Batista, Roger; Dinho, Goiano, Carlos Miguel, Arílson; Paulo Nunes e Jardel.

Enquanto a equipe se classificava para as seguintes fases do estadual, a Libertadores já havia dado a largada. O Grêmio fazia parte do Grupo 4, junto ao Emelec, El Nacional e Palmeiras. Na estreia, ainda em fevereiro, o tricolor perdeu de 3 a 2 para os paulistas, mas se recuperou, vencendo e empatando as demais partidas para se classificar apenas dois pontos atrás do Palmeiras no início de abril.

O mês foi recheado de jogos do estadual e da Copa do Brasil – na qual o clube também enfrentou o Palmeiras – e, chegado o seu fim, vieram as oitavas-de-final da Libertadores. O adversário seria o Olimpia, carrasco do rival colorado em 1989. O tricolor massacrou os paraguaios fora de casa com um 3 a 0 e fechou a conta com mais dois gols em Porto Alegre. Paulo Nunes, Dinho, Adílson Batista e Jardel duas vezes. 5 a 0 no agregado e classificação gaúcha. A Libertadores teve uma pausa, retornando apenas no final de julho, praticamente três meses depois.

Neste ínterim, o Grêmio chegou à final da Copa do Brasil após eliminar o Flamengo de Romário, mas sucumbiu ao Corinthians de Marcelinho Carioca e Viola – não foi dessa vez que o tricolor conquistou o bi consecutivo da competição. Em um ritmo absurdo de jogos, o tricolor chegava a jogar partidas em dias consecutivos (foram quatro partidas entre o dia 23 e 26 de junho) ou com menos de 48h de separação. 

Com o inverno chegando ao seu fim, a Libertadores retornou. O Grêmio não só voltou bem como voltou com goleada. O adversário? Por óbvio precisava ser o Palmeiras. Era a quinta vez que os clubes se enfrentavam na temporada e o que aconteceu no Olímpico foi um massacre. O jogo ficou empatado por longos quarenta minutos de superioridade tricolor, mas, ao fim do primeiro tempo, Arce abriu o placar aos 42’ com um belo chute e Arílson ampliou nos acréscimos com uma pintura ainda mais bonita. Sobrou tempo na primeira etapa para Dinho e Válber trocarem e serem expulsos da partida. Após a confusão – uma briga generalizada tomou conta do Olímpico – a equipe de Felipão descia ao vestiário empolgada com a vantagem e embalada para os próximos 45 minutos.

A etapa complementar teria um dono. Jardel já havia chegado com perigo em três situações no primeiro tempo e converteu seu tento logo aos 3’. O camisa 16 desviou o cruzamento e fez do jogo três a zero. O Grêmio não baixava o ritmo e novamente ele, Jardel, marcou mais duas vezes – de cabeça, é lógico. O tricolor fechava a noite em Porto Alegre com a singela vantagem de 5 gols a zero.

Em um Palestra Itália lotado, o Palmeiras de Cafú, Paulo Isidoro e Müller precisavam desesperadamente da vitória. Ainda assim, foi Jardel quem abriu o placar. O atacante tricolor após o vacilo da zaga paulista. O Grêmio estava em êxtase, a vantagem agora era de seis gols. Além disso, o centroavante chegava na marca de nove gols em nove jogos pela competição.

Jardel ainda viria a ser o artilheiro da Libertadores em 1995.

Atrás no placar, o Palmeiras começou a reagir. Cafú e Amaral – que assinaria com o Grêmio em 2003 – marcaram ainda na primeira etapa e deram a margem para os donos da casa. Já no segundo tempo, o Palmeiras melhorou seu rendimento e marcou com Paulo Isidoro. Mancuso converteu pênalti e manteve a esperança para o clube da Parmalat. Com o segundo gol de Cafu, aos 40 minutos finais, o estádio estava enlouquecido. O agregado contava com um 6 a 5 e mais um gol palmeirense levava a partida para os pênaltis. O que se viu no restante da partida foi uma aula de como segurar a bola. Os jogadores tricolores protegiam a pelota a todo custo e seguraram o resultado. Com uma derrota vexaminosa de 5 a 1 o Grêmio fazia a festa e classificava-se para as semifinais da Libertadores.

Uma semana depois, em meio às finais do Gauchão contra o Internacional, o tricolor viajaria ao Equador para enfrentar o Emelec, que também fizera parte do Grupo 4 ao lado de Grêmio e Palmeiras. O jogo foi um 0 a 0 sem muitas emoções e a responsabilidade da vitória estava toda sobre o tricolor.

Já com o título gaúcho em mãos, o Grêmio partiu para o jogo de volta contra o Emelec e começou amassando. A equipe apostava sempre na sua dupla de ataque. Paulo Nunes e Jardel estavam juntos desde o início da temporada e funcionavam como uma máquina bem ajustada. A dupla era responsável pela grande parte das chances e gols da equipe gaúcha e, mais uma vez, foi o diferencial nesta partida.

A dupla Jardel e Paulo Nunes era o terror dos adversários.

Aos 30’, já com a pressão chegando ao seu máximo, Paulo Nunes passou de chaleira, Jardel escorou e o próprio Paulo Nunes bateu colocado. Um golaço do tricolor e aberto o placar no Olímpico. Logo na sequência, o meia Rehermann agrediu Roger e foi expulso – ou como bradava Silvio Luiz: “está fuera! Está fuera!”.

Aproveitando-se da vantagem, Jardel ampliou o placar aos 41’, tocando na saída de Espinoza e marcando seu 11º gol na Libertadores. No segundo tempo, o Grêmio administrou o jogo e perdeu diversas chances de aumentar o marcador. Os jogadores buscaram se poupar, mas ainda assim, Carlos Miguel e Roger saíram de campo com dores – resultado do calendário apertado e desgastante.

A grande final teria sua primeira partida justamente no Olímpico, que não titubeou em ter seu máximo preenchimento. 55 mil torcedores empilhavam-se nas arquibancadas do monumental estádio para ver o Grêmio jogar contra o Atlético Nacional de René Higuita, o goleiro-artilheiro, na noite de 23 de agosto.

Esta era a terceira final que o Grêmio enfrentava no ano. Na primeira, perdera para o Corinthians pela Copa do Brasil, enquanto na segunda venceu o Inter e conquistou o título gaúcho. O Grêmio não queria ser vice. O Grêmio não queria deixar a Libertadores escapar após conquistá-la doze anos antes.

Se os gremistas estavam nervosos, os colombianos se mostraram mais ainda. O jogo estava equilibrado quando, aos 36’, Paulo Nunes cruzou e o zagueiro Marulanda tentou afastar. Sem sucesso, a bola desceu e caiu dentro da meta do Atlético Nacional. Estava aberto o placar e uma imensa pressão saiu das costas do clube gaúcho. Poucos minutos depois, Carlos MIguel avançou pela direita e chutou; HIguita deu rebote tinha que ser dele: Jardel mandou para o fundo da rede e sagrou-se o artilheiro da competição.

O Grêmio marcou forte o jogo inteiro e não se amedrontou contra os colombianos.

Já no segundo tempo, Arce cobrou escanteio e, após a cabeçada de Rivarola, mais um rebote. Desta vez quem aproveitou foi Paulo Nunes, que disparou rumo à torcida para comemorar o terceiro gol da partida. O Grêmio queria mais, mas o atacante Ángel conseguiu descontar para os colombianos, que levariam para casa a derrota de 3 a 1.

Sete dias depois, o jogo de volta acontecia em Medellín. Para a partida o Atlético Nacional teria a volta do atacante Aristizábal, ídolo do clube e da Seleção Colombiana. Foi justamente de seus pés que saiu o primeiro gol do jogo. Após uma bola rebatida, Aristizábal chutou colocado, encobrindo Danrlei. Um tento ainda era pouco e o Atlético Nacional continuou pressionando. Era lá e cá e, apesar de chegar bem, o Grêmio não conseguia marcar.

Pênalti convertido por Dinho em cima de Higuita.

Danrlei evitava as tentativas dos colombianos e formou um verdadeiro paredão na meta tricolor à medida que o jogo seguiu com o placar favorável ao time da casa. A vertente de tensão perdurou até a marca de quarenta minutos da segunda etapa, momento em que Alexandre, que havia entrado aos 20’ no lugar de Paulo Nunes, foi derrubado e o juiz marcou pênalti. Dinho cobrou uma pancada e com ela veio a certeza do título: o Grêmio era bicampeão da Copa Libertadores. 

No final do ano, o tricolor não repetiu o mesmo sucesso de 83 no Mundial. Contra um time recheado de estrelas do Ajax, o Grêmio manteve seus onze jogadores titulares e o que perdurou foi o empate sem gols. Nos pênaltis, quem levou a melhor foram os holandeses. Injusto, até mesmo o treinador do Ajax – e posteriormente da Seleção Holandesa e do Manchester United – Louis van Gaal afirmou a superioridade do tricolor.

O ano de 1995 sagrou-se como um dos melhores na história do clube. Títulos, goleadas, vitórias sobre o rival e até mesmo nas derrotas o Grêmio impressionou seus adversários. A história gremista nunca mais foi a mesma após o ano de 1995 e nunca mais será. Os torcedores têm marcado no peito de seu manto sagrado tudo aquilo que Danrlei e companhia fizeram. 1995 pode até ser um conjunto de 365 dias como qualquer outro, mas, ao menos para os gremistas, 1995 é Imortal.*

*Excerto do texto 1995, o Ano Imortal, do Grupo Bairrista.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

mais lidas

Especial: Jogadores Vira-Casaca na década de 90

Na primeira parte desta matéria mostramos os 25 jogadores que viraram a casaca no século 21. Agora, chegou a vez dos anos 90, que...

Desenvolvedores criam mapa de corrida de carro baseado em Porto Alegre

Já pensou em disputar uma corrida de carro na orla do Guaíba? Ou então passear em alta velocidade pelo Beira-Rio e Arena do Grêmio?...

Deu Tudo Errado: Leandro, o especialista

Muitas vezes o que parece ser o início de um sonho pode acabar dando tudo errado. Quem é torcedor sempre sonha com um título,...

Jogadores do Grêmio publicam nota conjunta: “Nos respeitem!”

Após o Grêmio divulgar o adiamento de parte dos vencimentos dos jogadores, os atletas tricolores foram às redes sociais comentar sobre o assunto. Publicaram...