sexta-feira, 18/09/2020
Início Dupla Gre-Nal Especial: Jogadores da Dupla que participaram de Copas do Mundo

Especial: Jogadores da Dupla que participaram de Copas do Mundo

Que Grêmio e Inter revelam craques isso não novidade. Basta olhar a convocação da Seleção Brasileira para a última Copa do Mundo: Alisson, Fred, Douglas Costa e Taison foram todos revelados no Rio Grande do Sul. Mas e aqueles craques que disputaram Copas do Mundo enquanto ainda vestiam os mantos colorados ou tricolores?

Apesar de cada vez mais raro – muito por conta da venda de jogadores à Europa -, vamos elencar aqui todos os jogadores que participaram de Copas enquanto ainda defendiam os clubes gaúchos. Se liga!

Adãozinho – Copa do Mundo de 1950 (Brasil)

Um dos membros do rolo compressor, Adãozinho esteve no Internacional entre 1943 e 1951, recebendo do sambista Ary Barroso a alcunha de atacante “satânico”. O jogador ainda passou por Flamengo e na infame Copa de 1950 foi reserva na seleção de Flávio Costa que conquistou o segundo lugar após o gol de Gigghia.

Nena – Copa do Mundo de 1950 (Brasil)

Outro jogador presente na campanha do Maracanaço foi o zagueiro Nena. Apelidado de Parada 18 em homenagem à parada de ônibus do bairro Tristeza da capital gaúcha da qual nenhum passageiro passava, o defensor do rolo compressor foi reserva daquela seleção.

Alcindo – Copa do Mundo de 1966 (Inglaterra)

O atacante tricolor fez parte do elenco da pífia Copa de 1966, em que a Seleção foi eliminada ainda na fase de grupos. Alcindo fez dupla com Tostão no ataque brasileiro e ficou amigo de Carlos Alberto Torres, que o convenceu a jogar no Santos em 1972 ao lado de Pelé e do próprio Capita. O Bugre, como era chamado, ainda retornou ao Grêmio em 1977 antes de se aposentar no ano seguinte. Alcindo morreu em Porto Alegre no dia 27 de agosto de 2016 por complicações da diabetes.

Everaldo – Copa do Mundo de 70 (México)

O lateral-esquerdo não só foi campeão mundial com a Seleção Brasileira, como foi imortalizado na bandeira gremista. Seis dias após a vitória na Copa do México, Everaldo foi homenageado com uma estrela dourada na bandeira pela conquista. O apreço do tricolor com o lateral era tamanho que após o técnico Zagallo deixá-lo de fora da Taça Independência em 1972, montou-se a Seleção Gaúcha para um amistoso contra a seleção canarinha. A partida, que encerrou-se em um magnífico 3 a 3, marcou o maior público da história do Estádio Beira-Rio com mais de 105 mil torcedores gaúchos.

Everaldo conquistou o tricampeonato mundial e virou estrela na bandeira do tricolor.

Carpegiani  –  Copa do Mundo de 1974 (Alemanha)

Em 1974, o colorado ainda não era campeão brasileiro mas já tinha um elenco de dar inveja, com jogadores como Manga – que havia disputado a Copa de 1966 enquanto jogava pelo Botafogo – e Paulo César Carpegiani. O habilidoso meia era titular no meio de campo ao lado do experiente Rivellino – cujo Fluminense o próprio Carpegiani eliminaria no Campeonato Brasileiro do ano seguinte com um belíssimo gol – do jovem Dirceu e de Paulo César Caju. Não só aquele time tinha mais um colorado, como a Seleção Chilena também havia convocado um dos vermelhos.

Valdomiro – Copa do Mundo de 1974 (Alemanha)

Ao lado de Carpegiani na campanha de 1974 estava Valdomiro. O ponta era titular no ataque ao lado do Furacão Jairzinho, compondo um ataque de extrema velocidade e técnica. Pelo colorado, na final do Campeonato Brasileiro de 1975, foi Valdomiro quem sofreu e cobrou a falta para que o próximo nome desta lista ficasse marcado na história do Sport Club Internacional.

Figueroa – Copa do Mundo de 1974 (Alemanha)

Dom Elías Figueroa. Um zagueiro de classe inexplicável e poderio físico invejável. O autor do gol iluminado disputou a Copa de 74 pela Seleção Chilena e, apesar de não passar nem da primeira fase, foi eleito o melhor zagueiro da competição ao lado do alemão Franz Beckenbauer. Naquele ano Figueroa também superaria Pelé ao ser eleito o melhor jogador sul-americano, título que foi dono por mais dois anos, até que Zico o conquistasse em 1977. Pelo colorado, foi bi-campeão nacional e penta do Gauchão, entre os anos de 1971 e 1976, quando retornou ao Chile.

Figueroa foi eleito o melhor zagueiro da Copa do Mundo ao lado de Franz Beckenbauer enquanto ainda atuava pelo Internacional em 1974.

Batista – Copa do Mundo de 1978 (Argentina) e 1982 (Espanha)

João Batista da Silva é um caso curioso. O meia foi tricampeão pelo colorado e, em meio aos títulos, disputou a Copa do Mundo de 1978 como titular absoluto daquela Seleção Brasileira. Muitos questionaram a convocação de Batista e a ausência de Paulo Roberto Falcão, fato dado como injustiça até os dias de hoje. Após a terceira colocação naquele ano, o meia retornou a Porto Alegre e seguiu defendendo o Internacional, até que em 1981, o presidente José Azmuz e Batista não acertaram detalhes do seu contrato. O passe do jogador acabaria nas mãos da Federação Gaúcha de Futebol e quem o compraria seria o Grêmio. Visto como traidor, Batista seguiu tendo boas atuações e foi convocado para a Copa do Mundo de 1982 – desta vez Falcão, agora na Roma, também estivera em campo. Aquela Seleção, vista como uma das melhores de todos os tempos foi eliminada precocemente pela Itália ainda na segunda fase. Segundo o goleiro Valdir Peres, a eliminação aconteceu apenas porque Batista não estava em campo. “Faltava um jogador de marcação para proteger a zaga. Mas o Maradona acertou uma pancada nele e ele não pode jogar”, afirmou o goleiro. Depois do Mundial, Batista foi contratado pelo Palmeiras, mas permaneceu poucos meses, sendo vendido à Lazio.

Batista foi convocado para duas Copas do Mundo: uma pelo Internacional e outra pelo Grêmio.

Paulo Isidoro – Copa do Mundo de 1982 (Alemanha)

Ao lado de Batista, outro jogador do plantel tricolor fora convocado. Paulo Isidoro estava no Grêmio desde 1980, quando foi trocado por Éder, outro convocado por Telê Santana para o Mundial de 82. Pelo tricolor, Isidoro comandou o time na conquista inédita do Brasileirão de 1981. O meia era reserva do meio de campo que contava com Toninho Cerezo, Falcão, Sócrates e Zico, mas entrou em quatro das cinco partidas disputadas.

Edevaldo – Copa do Mundo de 1982 (Espanha)

A Copa de 1982 é lembrado com carinho pelos colorados pela presença de Falcão, ídolo vermelho que foi eleito o segundo melhor jogador da competição, embora o meia já não pertencesse mais ao Inter. Isso não significa que o colorado não estivesse representado: o lateral-direito Edevaldo, campeão do Troféu Joan Gamper daquele ano com o clube, foi convocado por Zagallo e foi o responsável por vestir a icônica camisa 13 da amarelinha. Edevaldo era o suplente de Leandro e entrou apenas em uma partida, contra a Argentina.

Valdo – Copa do Mundo de 1986 (México)

Formado no Figueirense, Valdo chegou ao Grêmio em 1984 e dois anos depois foi convocado por Telê Santana para a disputa no México. O meia de apenas 22 anos ficou no banco em todas as partidas e após a competição, em 1988, transferiu-se para o Benfica. Atuando pelos portugueses, Valdo voltou a ser convocado em 1990 por Sebastião Laranzoni na chamada “Era Dunga” e foi titular na campanha. Jogou até os 40 anos, tendo retornado, inclusive, ao Grêmio em 2002. Para a Copa de 1986, Valdo não seria o único gremista convocado, mas problemas de disciplina tiraram Renato Gaúcho da disputa no México.

Mauro Galvão – Copa do Mundo de 1986 (México)

O zagueiro colorado foi convocado para Copa de 1986 após boa campanha com a “Sele-Inter” nas Olimpíadas de 1984, conquistando a primeira medalha de prata da história da Seleção. O zagueiro do tri vermelho seguiu no Inter até o ano da Copa e, após o Mundial, aceitou o convite de Carpegiani e transferiu-se ao Bangu, do Rio de Janeiro. Seguiu no Rio e enquanto jogava pelo Botafogo, foi chamado para a Copa do Mundo de 1990, sendo titular, assim como Valdo. Mauro Galvão ainda teve duas passagens pelo Grêmio, conquistando duas Copas do Brasil e um Campeonato Brasileiro.

Ruben Paz – Copa do Mundo de 1986 (México)

Outro colorado convocado para a Copa de 1986 foi o ídolo uruguaio Ruben Paz. O meia fazia parte da Seleção Uruguaia desde 1977, mas foi somente em 86 que a Celeste conseguiu a classificação para o Mundial. Paz chegou ao colorado em 1982 e permaneceu até o ano da Copa, quando o Uruguai foi eliminado nas oitavas-de-final pela Argentina, que viria a ser campeã da edição. 

Taffarel – Copa do Mundo de 1990 (Itália)

O último jogador colorado a ser convocado para a Seleção Brasileira é Cláudio Taffarel. Considerado por muitos o melhor goleiro da história da Seleção, Taffarel surgiu no Inter em 1985 e levou o time a duas finais de Brasileirão – uma delas, inclusive, marcada pela semifinal contra o Grêmio, conhecido como o Gre-Nal do Século. Titular em 1990 ao lado de velhos conhecidos como Branco, Dunga e Mauro Galvão, o goleiro foi vendido ao Parma da Itália. Disputou o Mundial de 1994 e foi o protagonista da final, imortalizado por Galvão Bueno e sua narração do “Sai que é sua, Taffarel”. Disputou ainda a polêmica Copa do Mundo de 1998, em que o Brasil conquistou a vice-colocação. Atualmente é treinador de goleiros da Seleção Brasileira.

Taffarel ficou eternizado como um dos maiores goleiros da história da seleção, sendo titular nas três Copas da década de noventa. Sai que é sua, Taffarel!

Enciso – Copa do Mundo de 1998 (França)

A Copa de 1998 teve como uma de suas maiores surpresas o aguerrido Paraguai. Com um bloco defensivo formado de atuais e ex-jogadores da dupla Gre-Nal, como Gamarra (no Benfica), Rivarola, Arce (no Palmeiras) e Enciso, a seleção sul-americana assustou a favorita e dona da casa França nas oitavas-de-final. O volante Enciso, que havia sido parceiro do ídolo Gamarra no Internacional, foi titular e após o Mundial seguiu no colorado até 2000, ano em que retornou ao seu país de origem. Enciso ainda conquistou a medalha de prata com a Seleção Olímpica do Paraguai em Atenas em 2004.

Rivarola – Copa do Mundo de 1998 (França)

O zagueiro campeão da América pelo tricolor foi convocado para a Copa de 98, mas foi reserva da dupla Gamarra e Ayala, que jogava no River. O jogador seria o substituto de Gamarra após a lesão do zagueiro nas oitavas-de-final, mas o então técnico Paulo César Carpegiani optou pela manutenção do jogador do Benfica, que vinha fazendo excelente partida. Em 1999, Rivarola foi para o Palmeiras já com 34 e se juntou aos ex-companheiros de Grêmio, Arce e Paulo Nunes. Apesar de jogar pouco no Verdão, conquistou a Copa Libertadores daquele ano novamente sob o comando de Luis Felipe Scolari.

Anderson Polga – Copa do Mundo de 2002 (Coréia e Japão)

O zagueiro Anderson Polga, ainda que jovem aos seus recém-feitos 22 anos, conquistou a atenção de Felipão após a conquista da Copa do Brasil em 2001. O comandante da Seleção Brasileira convocou o zagueiro, que seria reserva de Lúcio, Edmílson e Roque Júnior na campanha do pentacampeonato. Polga foi titular nas partidas contra a Costa Rica e contra a China, ainda pela fase de grupos e teve atuações sólidas. Depois da Copa, foi vendido ao Sporting, de Portugal, onde ficou até 2012. Acertou sua volta ao Brasil e fez parte do elenco campeão mundial do Corinthians naquele ano, apesar de atuar poucas vezes. Polga e Grêmio negociaram sua volta ao tricolor, mas o negócio não saiu e o jogador anunciou sua aposentadoria.

Luizão – Copa do Mundo de 2002 (Coréia e Japão)

Luizão é outro membro dos casos complicados. O atacante passou por Vasco, onde ganhou uma Libertadores, e estava no Corinthians quando teve uma contusão que impediu sua transferência para o Borussia Dortmund. A Fase no Timão era boa e levou o jogador a ser convocado por Felipão para as Eliminatórias, mas, poucos meses antes do Mundial, Luizão rescindiu com os paulistas alegando atraso no pagamento dos direitos de imagem. Sem clube, o atacante não poderia disputar a Copa do Mundo sob as regras impostas por Felipão. A solução do jogador foi assinar com o Grêmio, que, em suas palavras, foi apenas uma desculpa para vestir a camisa amarela: “Acertei com o Grêmio porque precisava jogar para ir à Copa. Mas o clube também aproveitou a oportunidade de levar um atleta de seleção brasileira barato. O Grêmio me usou, e eu usei o Grêmio. Estou no meu direito”. Luizão disputou apenas seis jogos e fez um gol pelo tricolor, antes de rescindir alegando não querer se contundir e arruinar sua ida à Europa como no ano anterior- o jogador tinha três propostas à época: Espanyol, Reggina e Hertha Berlim, clube que acabou se transferindo.

Aránguiz – Copa do Mundo de 2014 (Brasil)

O volante chileno faz parte da seleção desde 2009 e esteve no elenco colorado entre 2014 e 2015, marcando época como um dos melhores meio-campistas da década. Apesar do recente estresse com as negociações frustradas para o seu retorno, Aránguiz ainda nutre um carinho enorme da torcida colorada. Na Copa de 2014, ultrapassou a Espanha no grupo da morte ao lado da Holanda, mas caiu nas oitavas-de-final para a Seleção Brasileira nos pênaltis – Aránguiz, entretanto, acertou sua cobrança na gaveta.

Geromel – Copa do Mundo de 2018 (Rússia)

A convocação mais recente é a de Pedro Geromel. Chamado por Tite para compor a defesa, Geromel foi reserva de Thiago Silva e Miranda na campanha da seleção, que caiu ainda nas quartas para a Bélgica. O zagueiro segue no tricolor até hoje e é considerado um dos melhores da posição no Campeonato Brasileiro.

Geromel esteve presente na lista de Tite para a Copa de 2018 e foi o único representante da dupla Gre-Nal.

São 20 jogadores que ao longo dos anos integraram as suas seleções em Copas do Mundo enquanto ainda atuavam pela dupla Gre-Nal. Claro, jogadores como Falcão, Dunga e Renato são lembrados, mas não faziam mais parte dos elencos gaúchos, assim como Marinho Peres e Manga ainda não haviam chegado ao Rio Grande do Sul quando defenderam a amarelinha. 

E para você, torcedor, qual destes 20 jogadores da dupla representou melhor sua seleção em uma Copa do Mundo?

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

mais lidas

Especial: Jogadores Vira-Casaca na década de 90

Na primeira parte desta matéria mostramos os 25 jogadores que viraram a casaca no século 21. Agora, chegou a vez dos anos 90, que...

Desenvolvedores criam mapa de corrida de carro baseado em Porto Alegre

Já pensou em disputar uma corrida de carro na orla do Guaíba? Ou então passear em alta velocidade pelo Beira-Rio e Arena do Grêmio?...

Jogadores do Grêmio publicam nota conjunta: “Nos respeitem!”

Após o Grêmio divulgar o adiamento de parte dos vencimentos dos jogadores, os atletas tricolores foram às redes sociais comentar sobre o assunto. Publicaram...

Jogo do Grêmio terá narração de Luiz Alano e comentários de Mauro Galvão. Saiba mais:

Já está definida a escala do SBT para o confronto do Grêmio na Libertadores nesta quarta, às 21:30, contra a Universidad Católica. O narrador...