quinta-feira, 04/06/2020
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Guia do Elenco: O Gauchão de 77

A década de 70 com certeza foi uma das mais sofridas para o torcedor gremista, os tricolores tiveram que se acostumar a ver o Inter vencer tudo, seja pelo Rio Grande do Sul ou pelo Brasil. E no ano de 1977 o sofrimento azul chegava no seu auge, os colorados eram atuais bicampeões brasileiros e octacampeão gaúcho, poucas vezes na história da rivalidade a disparidade dos principais clubes do estado foi tão forte assim. Mas é do sofrimento que vem as maiores glórias, dentro da própria década de 70, o Grêmio conquistou uma de suas maiores façanhas: O Gauchão de 1977.

O título de Campeonato Gaúcho acabou com a série vitoriosa do Inter que durava desde 1969, a retomada gremista tinha Telê Santana como treinador, André Catimba de herói e já contava com o ídolo Tarciso. Confira em mais um Guia do Elenco, como chegaram os 11 titulares que acabaram com a sequência de vitórias coloradas e fizeram o torcedor gremista voltar a comemorar:

O Grêmio campeão de 77

Walter Corbo

O time que quebrou a hegemonia vermelha contava com um dos maiores goleiros da história do futebol uruguaio, Walter Corbo. Nascido em 1949 na capital charrua, Walter é um dos grandes ídolos da história do Penarol, no Carbonero o goleiro atuou de 1969 até 1976. Chegou ao tricolor no ano de 1976 com ar de grande contratação, e foi mesmo, o goleiro foi vital na conquista de 1977, sofrendo apenas 9 gols em 34 jogos. Walter deixou o Grêmio no início de 1979 para defender o San Lorenzo da Argentina.

Eurico 

Para voltar a conquistar títulos no estado a direção gremista fez um planejamento longo, o processo de formar um novo time começou ainda em 1975, e um dos primeiros passos foi justamente a contratação de Eurico. Ídolo do Palmeiras, o zagueiro que atuou no Gauchão de 77 como lateral direito, fez parte da “Academia” time histórico para os palmeirenses, no clube paulista o atleta atuou por mais de 450 partidas. No Grêmio, Eurico correspondeu as expectativas e foi um dos líderes do grupo no tempo em que permaneceu no olímpico, sendo figura importante para a volta dos títulos no tricolor.

Para fazer história quebrando a sucessão de títulos do Inter, o Grêmio precisava de jogadores com experiência, portanto, não poderia ser melhor contar com um zagueiro que treinou com o Pelé no auge, não é mesmo? a pedido de Telê Santana, Oberdan chegou ao Grêmio em 1977.

Oberdan 

Ídolo do Santos, Oberdan atuou no clube paulista como titular por 10 anos, durante 1965 até 1975. após ser multi-campeão ao lado de Pelé, o zagueiro voltou ao seu clube de formação; Coritiba. No Paraná continuou ganhando troféus, por lá foi tricampeão paranaense. Foi escolhido por Telê Santana justamente por esse currículo vencedor, o Grêmio precisava contar com jogadores vencedores para voltar a ser campeão. A experiência de Oberdan junto com sua grande qualidade, foram determinantes para o sucesso do objetivo gremista, no fim de sua passagem pelo tricolor em 1978, o zagueiro que já era ídolo do Santos e do Coritiba, se tornou um grande ídolo para os tricolores. 

Oberdan era o jogador mais experiente do time gremista

Cássia

Natural de São Borja, o zagueiro atuava no Internacional, mas não no eterno rival, e sim no Internacional de São Borja. Após se destacar na fronteira, o jogador de 24 anos chegou com desconfianças da torcida no Olímpico, mas tratou de conquistar a titularidade e confiança dos adeptos rapidamente. Cássia deixou o Grêmio em 1979 para defender o Santos, e voltou ao clube como treinador, em 1993 foi novamente campeão gaúcho pelo tricolor, dessa vez como comandante da equipe. 

Ladinho

Na lateral esquerda do time de Telê Santana se encontrava a grande surpresa do time. Contrato no início do ano a pedido do treinador, o Grêmio foi o primeiro time grande na carreira de Ladinho. O lateral esquerdo era a peça surpresa do time por sua conta de sua inovação para aqueles tempos, na época a maioria dos laterais se concentrava apenas em marcar e não avançar, características totalmente opostas ao catarinense. O apoio ofensivo do jogador era fundamental para o esquema tático do Grêmio de 77. Ladinho permaneceu no Grêmio até 1980 quando retornou ao futebol catarinense, para defender dessa vez o Joinville.

O Meio Campo

O meio campo de Telê Santana no Grêmio era formado por três jogadores, onde cada atleta correspondia a uma função determinada pelo grande comandante. Abrindo o setor, temos Victor Hugo, o volante natural de Porto Alegre que cumpria a função de ser o cão de guarda do time. Victor jogava na frente dos zagueiros, e era o protetor ideal para consolidar um forte sistema defensivo. Pela meia direita, temos Tadeu Ricci, considerado por Telê Santana um dos jogadores mais inteligentes que já treinou. Tadeu era o jogador tático do time, afrente dos demais, o atleta cumpria a função de marcar e atacar, sendo o famoso motorzinho do futebol, em uma época que existiam poucos homens para efetuar essa função, que é importante até os dias de hoje. Responsável pela parte criativa do setor, o Grêmio contava com o grande Iúra, autor do gol mais rápido da história dos Gre-Nais. Gaúcho de Porto Alegre, o meia esquerda contava com grande qualidade técnica, e ao lado de Tarciso foi o grande jogador gremista da década. Iúra atuou no tricolor de 1971 a 1980, ano em que foi obrigado a se aposentar, devido a uma lesão no fêmur.

Iúra é o autor do gol mais rápido da história dos Gre-Nais com 14 segundos

Tarciso

O título Gaúcho de 1977 não foi somente histórico por acabar com a soberania do Inter, a conquista também foi a primeira de Tarciso no clube, jogador que viria mais tarde a ser o recordistas de partidas com a camisa tricolor. Chegou no Grêmio em 1973 após defender o América do RJ por três anos, e viria a ficar no Olímpico até 1986, onde disputaria 726 jogos e marcaria 222 gols, além de ser campeão brasileiro, da américa e do mundo. Na final contra o Inter em 1977, perdeu um pênalti, mas nada que diminuísse a importância do atacante na competição, ao lado de André Catimba, Tarciso foi considerado o grande herói pelos gremistas.

Tarciso atuando pelo Grêmio na década de 70

Eder

Antes de brilhar com Telê Santana pela seleção brasileira na Copa do Mundo de 1982, Eder foi comandado pelo técnico no Grêmio. Um dos grandes atacantes da história do futebol brasileiro, Eder em 1977 ainda não contava com toda badalação que teria ao longo de sua carreira. O atacante chegou ao tricolor com 20 anos de idade, após defender sem números expressivos o América de MG, mas no Olímpico o atacante explodiu para o Brasil definitivamente. No Grêmio, Eder atuou até 1980, o atacante marcou incríveis 70 gols em 159 partidas, fazendo uma grande passagem pelo tricolor.

Eder foi um dos destaques brasileiros na Copa de 82

 

André Catimba

André Catimba é o nome mais marcante da conquista tricolor, o atacante se imortalizou na história gremista com um gol e com uma comemoração. Antes de chegar no Grêmio justamente em 1977, André brilhou no Guarani de Campinas em 1976, marcando 26 gols na temporada. O ótimo desempenho do centroavante no interior paulista chamou a atenção dos dirigentes gremistas, que o trouxeram para o Olímpico na primeira oportunidade. No Grêmio, André Catimba atuou de 1977 até 1979, mas foi em seu primeiro ano de clube que o centroavante fez história. Na partida de decisão contra o Inter, Catimba chegava sem confiança, afinal os gols estavam em escasso, mas isso mudaria para sempre depois de um ótimo passe de Iúra. O centroavante recebeu belo passe do camisa 10 gremista e finalizou bonito de três dedos, marcando o gol que acabaria com o sofrimento gremista, o gol do título. Na comemoração, André executou mal um salto mortal e por pouco não se machuca gravemente. Após sua passagem pleo tricolor, André Catimba foi defender o Bahia o posteriormente atuaria até mesmo na Argentina, pelo Argentino Juniors.

A comemoração de Catimba

O 12° jogador 

Se as coisas não estivessem funcionando bem, Telê Santana contava com ninguém menos que Alcindo no banco de reservas para mudar a partida. O maior artilheiro da história do Grêmio com 264 gols, em 1977 defendia o tricolor pela segunda vez. O atacante de 32 anos na época, voltou para o Olímpico depois de atuar no México por três anos. O centroavante matador brilhou pelo Grêmio entre 64 a 71.

Alcindo, o maior artilheiro da história do Grêmio

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