sexta-feira, 18/09/2020
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Guia do Elenco: o primeiro Brasileirão do tricolor

Os anos 70 com certeza não foram do Grêmio. O tricolor viu seu maior rival vencer oito campeonatos estaduais e se sagrar tricampeão brasileiro, com ídolos como Batista, Valdomiro e Falcão. Com a troca da década, os azuis apostavam também em uma troca de ares. A primeira novidade foi a finalização do Estádio Olímpico, que com o novo anel superior ganhou a alcunha de Monumental.

Em 1981, a gangorra confirmou que era a vez do Grêmio. O clube conquistou seu primeiro título, o Campeonato Brasileiro, e firmou a fundação do que seria um dos maiores elencos da história do clube. Dois anos depois, viria a conquista da América e do mundo, argumento que amargou o mais fiel dos colorados por mais de 20 anos – afinal, melhor do que vencer é superar o rival.

O time daquele ano era capitaneado por um dos goleiros mais emblemáticos da história do Brasil. Emerson Leão chegou ao Grêmio em 1980, depois de uma passagem sem títulos pelo Vasco, mas antes disso, o goleirão preencheu o currículo até demais. Titular em todos os jogos da Copa do Mundo de 78 e tricampeão brasileiro com o Palmeiras, Leão chegou no Grêmio com pinta de campeão e foi recebido muito bem pela torcida.

Na lateral-direita aparece o primeiro jogador que viria a ser campeão da América com o tricolor anos depois. O clube foi buscar Paulo Roberto no Tamoio Futebol Clube, de Viamão, no próprio ano de 1981 e logo aos 19 o jogador conquistou a titularidade de Uchôa. 

Em 1981, o Grêmio assinou com um dos jogadores mais importantes da sua história. Depois de ser campeão da Libertadores com o Nacional em 1980 – em cima do Internacional, inclusive -, Hugo De León acertou sua ida para o Grêmio e ficou de fora da disputa do Taça Intercontinetal daquele ano. Antes de partir, o zagueiro disputou o Mundialito, um mini-torneio organizado apenas com as seleções campeãs mundiais (com exceção da Inglaterra, que foi substituída pela Holanda). Com a vitória da Seleção Uruguaia, De León deu a volta no Estádio Centenário com o manto gremista que ganhou dias antes, ao assinar com o tricolor. O jogador impressionou logo de cara pela sua liderança, ainda que tivesse apenas 22 anos.

Hugo De León na conquista do Mundialito, dias após assinar com o Grêmio.

O elenco do Grêmio já contava com Jorge Baidek – que viria a ser o titular nos títulos de 1983 – mas o dono da posição era Newmar (com W, nada de Neymar). O zagueiro foi formado nas categorias de base do Matsubara, do Paraná, e chegou ao tricolor em 1980, com apenas 19 anos. Newmar já havia disputado dois torneios de Toulon com a Seleção Brasileira Sub-20 e era uma promessa na zaga.

Na ala esquerda, outro jogador formado pelo clube foi Casemiro, que à época do título tinha apenas 23 anos. O lateral integrou o elenco tricolor por oito anos, mas foi no rival que teve um dos principais destaques da carreira: Casemiro foi expulso no Gre-Nal do Século, em 1989.

Quem abria o meio-campo daquele time era Henrique Valmir da Conceição, mais conhecido como China. O volante chegou no Grêmio em 1980 após boa passagem pela Chapecoense no ano anterior e no mesmo ano foi emprestado ao seu clube formador, o 14 de Julho de Passo Fundo, até que se tornou titular da equipe em 81. China foi o dono da posição por muitos, sendo, assim como Paulo Roberto, titular na campanha da Libertadores de 1983.

Outro importante jogador daquela campanha foi Paulo Isidoro. O habilidoso meia da Seleção Brasileira chegou ao Olímpico após ter seu passe trocado pelo de Éder. Com isso, Paulo Isidoro deixou o Atlético Mineiro, clube em que fez sua carreira, para chegar ao tricolor gaúcho em 1980, onde ficou por dois anos. O meia conquistou não somente o título brasileiro, como também a Bola de Ouro naquele ano.

Paulo Isidoro atuando pela Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1982.

Fechando o meio de campo, Vilson Taddei era um dos jogadores mais experientes do clube, com 27 anos. O meia chegou na equipe ainda em 1980 depois de passagens por São Paulo e Coritiba e ficou até 1982.

No ataque, o Grêmio tinha toda a experiência e liderança de Tarciso. O Flecha Negra estava no elenco tricolor desde 1973, quando veio do América do Rio de Janeiro. Originalmente um centroavante, o atleta virou um ponta no tricolor e assim manteve-se até o fim da carreira. Tarciso participou do título gaúcho de 77, mas seu primeiro grande título veio justamente com o Brasileiro de 1981. O atacante permaneceu no tricolor até 1986, tendo participado das campanhas da Libertadores e do Mundial, além de tornar-se o jogador com mais atuações pelo Grêmio (721 partidas) e o segundo maior artilheiro do clube (226 gols).

Tarciso Flecha Negra, o jogador com mais jogos na história do clube e um dos maiores ídolos tricolores.

Na centroavância estava outro jogador que marcou seu nome na história do clube como o sétimo maior artilheiro tricolor. Baltazar chegou ao Grêmio em 1979 após ter sido o artilheiro do campeonato goiano já no seu ano de estreia pelos profissionais do Atlético Goianiense.

Na outra ponta, Odair conquistou a posição de titular da equipe, apesar de ser substituído em muitos jogos por jogadores como Héber, Jurandir e Renato Sá. O ponta-esquerda foi formado no Grêmio e manteve-se no clube até 1987, tendo, assim, participado de mais de 200 jogos com o tricolor.

O décimo segundo elemento do clube era Renato Sá, que atuava tanto no meio quanto na ponta-esquerda. O jogador chegou ao Grêmio do Avaí, clube que o revelou em 1976. Participou de mais de 100 jogos entre 1978 e 1981, ano em que se transferiu para o Vasco.

E, claro, o Grêmio contava com um grande comandante na casamata. Depois de conquistar o tri com o Inter e levar o time à final da Copa Libertadores, Ênio Andrade saiu do colorado para assumir o grande rival. Assumiu o Grêmio em 1981, venceu o Brasileiro e chegou a ficar na segunda colocação no ano seguinte, conseguindo a classificação para a Libertadores de 1983. Saiu do clube para dar lugar a Valdir Espinosa, que viria a ser campeão da América.

Um breve resumo da campanha

Em 1981, o elenco citado acima não partiu como favorito. Na verdade, classificou-se da primeira fase como quarto colocado, com quatro vitórias, dois empates e três derrotas. Na segunda fase, uma melhora: conseguiu o segundo lugar no grupo, atrás apenas do São Paulo, contra quem conquistou uma vitória e uma derrota. Os confrontos foram importantes para que Ênio Andrade percebesse quem era o favorito da competição: com o Flamengo de Zico, Júnior e Tita – que mais tarde integraria o elenco do tricolor – focado na Libertadores, o São Paulo de Serginho Chulapa e Valdir Peres assumia o favoritismo da competição.

Na fase mata-mata, o Grêmio teve um susto logo nas oitavas. O Vitória venceu a primeira partida, deixando toda a responsabilidade sobre os gaúchos, que conseguiram o placar de 2 a 0, suficiente para a classificação. Nas quartas, o Operário foi batido com facilidade: 3 a 0 no agregado. Já nas semis, o Grêmio encaminhou a classificação ainda na ida, no Moisés Lucarelli, ao vencer a Ponte Preta de virada por 3 a 2, com gols de Paulo Isidoro, Vilson Taddei e Tarciso. O jogo de volta contou com o maior público da história do Olímpico: 98.421 pessoas viram o Grêmio perder para os paulistas, mas ainda assim garantir a vaga na sua primeira final de Campeonato Brasileiro.

Confirmado o que Ênio Andrade concluíra, o adversário seria o São Paulo. O primeiro jogo começou tenso e se tornou especialmente complicado após Serginho Chulapa abrir o placar aos 39’. Coube a Paulo Isidoro resolver a partida. O meia marcou o primeiro gol aos 10’ do segundo e selou a virada tricolor aos 24’. Com o 2 a 1, o Grêmio seguia apreensivo, mas esperançoso. 

O Grêmio enfrentou o São Paulo na final e garantiu seu primeiro título brasileiro da história naquele ano. Foto: Agência RBS.

Na partida de volta, os azuis seguraram o resultado e conseguiram cimentar o título aos 20’ do segundo tempo, quando Baltazar soltou uma bomba de fora da área e encontrou a gaveta. Festa gremista e, enfim, o primeiro grande título da história tricolor.

Aquele elenco ainda agrupava jogadores como Baidek, Paulo César Magalhães, Tonho, Paulo Bonamigo e, claro, o ídolo-mor, Renato Portaluppi. Dois anos após o título brasileiro, viria a principal façanha do clube na década e a história do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense.

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