quinta-feira, 24/06/2021
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Morre Bira, campeão invicto em 1979

O Internacional divulgou hoje o falecimento de Ubiratan Espírito Santo, mais conhecido como Bira Burro. O ex-centroavante foi titular na campanha de 1979, em que o colorado se sagrou campeão invicto do Brasileirão. Bira tinha 65 anos e lutava contra um câncer. O óbito aconteceu em Belém do Pará.

Muitos não sabem, mas a origem do apelido “Bira Burro” está atrelado à sua vinda ao colorado. Na época artilheiro do Campeonato Paranaense pelo Remo, Bira recebeu propostas vantajosas no Inter de Falcão e do Flamengo de Zico. O centroavante contrariou a todos e escolheu vir ao Rio Grande do Sul, recebendo o apelido de Burro pela crônica esportiva carioca.

Chegando ao Sul, Bira rapidamente tornou-se amigo de Falcão e de Batista. A partir dessas amizades, o atacante conheceu uma personagem importante na sua vida: Dona Delmira, mãe de Batista. Em entrevista à Rádio Guaíba, Bira detalhou sua chegada à Porto Alegre:

Quando cheguei ao Inter, fiquei apavorado quando recebi meu primeiro salário. Era uma dinheirama incrível. O Falcão veio falar comigo e perguntou o que eu ia fazer com a grana. Respondi que ia gastar, ué. O Falcão me falou super-educadamente que eu precisava de alguém para cuidar de mim. Passou dois dias e me ligou a Dona Delmira, mãe do Batista, me convidando para almoçar. Durante o almoço, ela começou a fazer um monte de perguntas: “Meu filho, quanto tu ganha no Inter?”, “O que vai fazer com os bichos por vitória?”, “Tu sabe que a vida de jogador é curta?”. Me deu um monte de lição de moral e mandou eu lhe dar toda a grana que eu ganhava.

Ela passou a mandar em mim, era minha empresária. Olha, a Dona Delmira me deixava à míngua! Eu almoçava na casa dela e ela me deixava o dinheiro justo para eu ir treinar e para pequenos gastos. Um dia, ela escolheu um apartamento para mim e disse: “É lá que tu vai morar, Bira. É um lugar que está valorizando. Um bom negócio.” E foi assim que eu arranjei uma mãe gaúcha. Uma baita mãe. Era dureza, mas eu obedecia.

Não fosse ela, o Falcão e o Batista, eu não teria uma filha advogada e um filho administrador de empresas. Teria jogado tudo fora. É gozado como as coisas acontecem. Depois eu me machuquei, fui para outros clubes, rodei o país, mas aprendi a me preparar para o futuro.”

Relato resgatado no blog Arquibancada Colorada.

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