segunda-feira, 06/07/2020
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O Castelo dos sonhos em Fortaleza (Parte 2)

O acesso para a Série B de 2016 não veio por pouco para o Juventude. Mesmo vencendo o Guaratinguetá por 3 a 0 na última rodada da fase de grupos, foi eliminado por 1 gol de diferença no saldo e perdendo sua vaga para o Brasil de Pelotas, que garantiu o acesso ao eliminar o Fortaleza no Castelão. O que o torcedor Jaconero não imaginava era que, em menos de 1 ano, seria ele que comemoraria mais uma vaga gaúcha naquele estádio. 

Durante o período mais glorioso de sua história, entre os anos 90 e o início dos anos 2000, o Juventude conseguiu se colocar na prateleira principal do futebol brasileiro. Conquistou uma Copa do Brasil calando um Maracanã com mais de 100 mil pessoas, e bons resultados no Campeonato Gaúcho. O melhor deles sendo o título inédito em 1998. 

No Campeonato Brasileiro, garantiu o acesso à elite ao conquistar a Série B de 1994. Foram 13 temporadas consecutivas na primeira divisão, até o rebaixamento, em 2007. Os anos seguintes foram difíceis para a equipe da Serra. Em 2009, foi rebaixado da B para C. No ano seguinte, mais um descenso, desta vez para Série D. 

A recuperação veio apenas em 2013, ano de seu centenário. Classificou para a Série C ao vencer o Metropolitano, nas quartas. Chegou até a final, onde perdeu para o Botafogo-PB. Na Série C, bateu na trave por duas vezes ao ser eliminado na fase de grupos. Na última, perdeu a vaga para a próxima fase por um único gol de diferença no saldo. 

No ano de 2016, enfim a glória. O Juventude começou o ano bem no Gauchão. Eliminou o Grêmio nas semifinais e enfrentou o Inter na Final, onde acabou amargando mais um vice-campeonato. Na Copa do Brasil, que disputava paralelamente à Série C, fez uma grande campanha. Venceu grandes equipes como São Paulo, Coritiba e Paysandu, até ser eliminado nas quartas para o Atlético Mineiro nos pênaltis.

Na Série C, teve uma campanha de altos e baixos. Nela, teve grandes vitórias, como um 5 a 0  e um 4 a 0 no Guaratinguetá e um 3 a 0 na Tombense. Mas o clube acabou perdendo algumas em casa, para equipes como Guarani e Portuguesa. Assim como no ano anterior, chegou até a última rodada com risco de ser eliminado. 

Só que desta vez o roteiro foi diferente. O Juventude venceu fora de casa o Mogi Mirim e não deu chances a Tombense e Ypiranga de pegarem sua vaga. Hugo abriu o placar logo no início, mas o Mogi Mirim empatou. Hugo novamente marcou e garantiu a vitória e classificação do verdão.

Ao terminar em 4º, enfrentaria o Fortaleza, 1º colocado do outro grupo, para decidir a vaga. O Leão do Pici vivia um drama de 7 anos na Série C, que havia se agravado menos de um ano antes, quando o Brasil venceu o Fortaleza dentro do Castelão. 

Nos primeiros minutos de jogo, um gol pra cada lado. Porém, nenhum valeu. Após escanteio, Micael cabeceou, a bola bateu na trave e voltou para Roberson. Só que a bola bateu na mão do atacante do Juventude antes dele empurrar pro fundo do gol. 

Cerca de 4 minutos depois era a vez do Fortaleza. Após cobrança de falta, Daniel Sobralense apareceu livre e finalizou. Elias defendeu, mas no rebote o jogador do Fortaleza marcou. Só que nada disso estava valendo, pois Daniel Sobralense estava impedido.

O Juventude até teve outras boas chances na partida, mas não conseguiu abrir o placar. Com o 0 a 0 em Caxias, qualquer empate com gols classificaria a equipe da Serra.

Tudo igual na ida. Arthur Dallegrave/E.C.Juventude

Chegando no Estádio Castelão, o Juventude assistiu um espetáculo da torcida do Fortaleza parecido com que os Xavantes viram um ano atrás. O jogo começou com pressão da equipe local. Elias fez uma grande defesa aos 18 do primeiro tempo. Aos poucos, a equipe de Antônio Carlos Zago foi se soltando, mas desperdiçando algumas chances. Roberson, aos 45 do primeiro tempo, conseguiu ficar cara a cara com o goleiro, mas chutou para fora.

Se no primeiro tempo o Juventude pecou nas finalizações, a resposta veio nos primeiros minutos do segundo tempo. Logo aos 2 minutos, Pará cruzou para Hugo, livre, mandar um testaço sem chances para o goleiro Ricardo Berna. 

Hugo abriu o placar em Fortaleza. Foto: Arthur Dallegrave / E.C.Juventude

Com a desvantagem, o Fortaleza partiu pra cima. O gol do empate saiu 20 do segundo tempo. Pio, que recém tinha entrado, cobrou uma falta em frente à área. Soltou uma bomba que passou por baixo da barreira fazendo um golaço. 

Explosão no Castelão e muita comemoração com o gol. Porém, o empate em 1 a 1 ainda assegurava a vaga para o Juventude. Por isso, a pressão do Fortaleza continuava. Cerca de 4 minutos após o gol, Anselmo recebe cruzamento e cabeceia, obrigando o goleiro Elias a fazer um verdadeiro milagre. 

A resposta do Juventude veio aos 34. Roberson dribla o zagueiro e apenas Ricardo Berna separa ele do gol que fecharia o caixão e decretaria o Papo na B. O atacante resolve dar uma cavadinha e a bola vai pra fora. 

Erro que quase custou a classificação do Juventude. Logo em seguida, Pio fez mais uma grande cobrança de falta. A bola foi no canto, mas Elias, herói daquele jogo, fez outra grande defesa. 

O jogo tomava ares dramáticos para as duas equipes. O Juventude estava com todos os seus jogadores no campo de defesa e apenas se segurava. Já o Fortaleza, carregava a angústia de anos anteriores e uma briga contra o relógio. Faltando 2 minutos para acabar, Pio manda outro belíssimo chute de fora da área, mas Elias novamente faz uma defesa sensacional. No último minuto, o mesmo Pio ainda arriscaria novamente, mas Elias novamente não deixou.

Quando o juíz apitou pela última vez, uma cena, que já havia ocorrido menos de 1 ano atrás se repetiu. Um Castelão lotado, vendo um clube gaúcho comemorando uma classificação histórica no gramado. Os jaconeros que foram até o estádio comemoravam efusivamente enquanto a maioria via tudo de forma desolada. 

 

 

Comemoração no Estádio Castelão. Foto: Arthur Dallegrave / E.C.Juventude

Elias foi um dos heróis da partida. Foto: Arthur Dallegrave / E.C.Juventude

Chegando em Caxias do Sul, uma multidão festejou pelas ruas com os atletas. Após 6 temporadas, o Juventude finalmente estava de volta à Série B. Infelizmente, acabou sendo rebaixado 2 anos depois, mas conseguiu novamente o acesso no ano passado. Só que, mesmo assim, as memórias daquela noite no Castelão jamais serão esquecidas.

Festa no retorno dos jogadores. Foto: Ec Juventude

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