sexta-feira, 03/07/2020
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Raio X: Tcheco, capitão e camisa 10

No século 21, o Grêmio teve muitos ídolos vestindo a camiseta tricolor. Roger Machado, Mauro Galvão, Danrlei, Douglas, Jonas e os atuais Pedro Geromel, Maicon e Everton são alguns dos exemplos de craques que passaram seja pelo Olímpico ou pela Arena. No Raio X de hoje vamos falar sobre um camisa 10. Anderson Simas Luciano foi memorável em suas duas passagens por Porto Alegre.

Tcheco fez toda a sua formação no Paraná. Profissionalizou-se em 1998 mas atuou pouco. Foi negociado com o Malutrom – posteriormente J.C. Malucelli – e começou a ter destaque no Campeonato Paranaense. Chegou ao Coritiba em 2002 com 22 anos para a disputa do Brasileirão. Teve novamente um ano de destaque e, titular, ficou na 11ª colocação com o Coxa. No ano seguinte, veio o seu primeiro título. Conquistou o estadual e, com performances cada vez melhores, levou o time à Libertadores. Dentre os jogos daquele ano, destaque para a goleada de 5 a 0 contra o Flamengo, que contou com gol de Tcheco.

Depois de duas temporadas de sucesso, o meia foi negociado com o Al-Ittihad da Arábia Saudita, onde chegou a ser treinado pelo brasileiro Candinho. Ficou por lá até 2005, quando emprestado ao Santos. Não rendeu e retornou ao clube árabe. No ano seguinte, foi comprado pelo Grêmio e uma das melhores temporadas de Tcheco estava por vir. Tornou-se titular absoluto em 2006 e foi dada ao meia a camisa 10. Conquistou o Campeonato Gaúcho no famoso Gre-Nal de Pedro Júnior e ainda levou o Grêmio à terceira colocação do Brasileiro.

Com a campanha, o tricolor classificou-se para a Libertadores de 2007. Tcheco recebeu a faixa de capitão e liderou aquele elenco de Sandro Goiano, Diego Souza e Carlos Eduardo à final da taça continental. Sem o título, Tcheco ganhou o prêmio de segundo melhor jogador da competição, ficando atrás apenas de Riquelme.

Retornou ao Al-Ittihad depois de uma temporada e meia no Grêmio, mas sua história no Rio Grande não havia chegado ao fim. 

Seis meses após deixar o clube, foi novamente apresentado no estádio Olímpico. Dessa vez, Tcheco recebeu a camisa 8 – o dono da 10 era Roger Flores, que havia chegado por empréstimo ao tricolor. O Grêmio teve um ano memorável, chegando ao segundo lugar no Campeonato Brasileiro e rendendo a Tcheco uma Bola de Prata.

O meia foi eleito ainda segundo colocado no prêmio Craque do Brasileirão e foi novamente escolhido como capitão para a temporada de 2009. Em maio daquele ano, Tcheco completou 150 jogos com a camisa do Grêmio, já novamente com o 10 nas costas.

O meia teve mais uma campanha de destaque na Libertadores. Depois de uma fase de grupos quase perfeita (5 vitórias e um empate), o tricolor avançou sobre o peruano Universidad San Martin. Nas oitavas passou pelo Caracas pelo saldo qualificado e chegou então às semis. Sucumbiu perante o Cruzeiro, mas, mais uma vez, Tcheco mostrava sua qualidade diante da América inteira

Despedida do meia. Na imagem, Tcheco e o ex-presidente Duda Kroeff.

O Grêmio optou por não renovar com o meia e o destino de Tcheco era o Corinthians. Em sua despedida, o meia recebeu uma bela homenagem do clube gaúcho e recebeu uma camisa personalizada que guarda até os dias de hoje: “Acho que não houve outro jogador no Grêmio que teve seu rosto estampado em uma camisa”, orgulha-se.

Na capital paulista, teve como companheiros o colorado Iarley e ninguém menos que Ronaldo Fenômeno. A expectativa corinthiana era conquistar a Libertadores, mas outro gaúcho amargou os planos do clube. Tcheco não rendeu e foi negociado com o Coritiba por empréstimo.

De volta às suas raízes, o meia foi o líder da heroica conquista da Série B, já com 34 anos. Experiente, o capitão renovou seu vínculo com o clube paranaense. Não só manteve a equipe na Série A como chegou a oitava colocação. No ano seguinte veio a sua última temporada. E como todo craque, Tcheco teve uma baita despedida.

As últimas atuações de Tcheco foram com a camisa do Coritiba.

No mesmo ano em que seu ex-clube, Grêmio, ficou a dois gols da final da Copa do Brasil, o meia não deixou a oportunidade passar. O Coritiba virou o agregado contra o São Paulo e classificou-se a disputa do torneio contra o Palmeiras, treinado por Felipão.

O título não veio, mas com mais uma final no currículo, Tcheco deu seu adeus aos gramados. Ao menos como jogador. Antes de se aposentar, o contrato final do meia contava com uma cláusula pouco usual: passados seus últimos seis meses como jogador, Tcheco seria efetivado como gerente de futebol no clube

Em 2014, Tcheco teve seu primeiro grande desafio fora dos gramados e não decepcionou. Na 35ª rodada, o Coritiba empatou contra o Vitória e o técnico Péricles Chamusca foi demitido. Em seu lugar, a direção apostou em Tcheco na missão de livrar o time do rebaixamento. Inexperiente, o interino venceu Palmeiras, Atlético Mineiro e Bahia, conseguindo assim permanecer na Série A.

Tcheco treinou o Coritiba em três ocasiões distintas.

Em 2016, deixou o Coritiba frustrado. Tcheco era técnico do time Sub-23 e perdeu seu emprego com a extinção da categoria. Tornou-se auxiliar técnico no rival e seu clube formador, o Paraná. Tcheco foi o responsável por escutar os atletas, aparar arestas e manter o bom ambiente no grupo. Internamente, o seu trabalho foi avaliado como acima da média e o clube tentou mantê-lo, mas a missão de Tcheco agora era outra: ser técnico de futebol.

Voltou ao Coritiba para ser membro da comissão técnica e foi novamente escolhido como técnico interino em 2018. Venceu o Atlético Goianiense e encerrou seu período como treinador com a vinda de Eduardo Batista. O treinador foi demitido cerca de cinco meses depois e mais uma vez Tcheco assumiu – curiosamente contra o Atlético Goianiense novamente.

Em 2019, abandonou a comissão do Coritiba para ser o técnico do modesto Barra de Balneário Camboriú. Teve uma campanha razoável e anunciou no final do ano um novo desafio: ser técnico do Rio Branco, do Paraná, na temporada 2020. Tcheco vinha desempenhando um bom trabalho, chegando às quartas de final do estadual. Entretanto, a paralisação por conta do coronavírus interrompeu a carreira do jovem técnico que teve seu contrato e o de toda a comissão encerrados.

Athletico Paranaense – jogo entre Athletico Paranaense e Rio Branco na Arena da Baixada, em Curitiba, válido pelo Campeonato Paranaense 2020.

O futuro do ex-meia e atual técnico é incerto, mas promissor. Com o sonho de retornar ao Grêmio, Tcheco mostra-se grato ao clube gaúcho. “Não sei o que tenho com o Grêmio, me sinto mais do que em casa. Eu escolhi o Grêmio para ser o meu time do coração.

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