segunda-feira, 03/08/2020
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Tesourinha evitaria o Maracanaço

Sim, Osmar Fortes Barcellos, mais conhecido como Tesourinha, evitaria a tragédia que foi perder o título mundial de 1950 para a seleção uruguaia. Mas antes de falar sobre o maior desfalque que o Brasil teve naquela Copa do Mundo, conheça um pouco mais sobre a história de um dos maiores craques da história do Inter:

Antes de se tornar um gigante na história colorada, Tesourinha com 18 anos atuava no Ferroviário, time da Ilhota, antiga vila de Porto Alegre. O futuro craque do Rolo Compressor foi convidado por um olheiro do Internacional a se juntar no futuro esquadrão da década de 40 em 1939.

Ao chegar nos Eucaliptos, o futuro gigante ainda era um pobre garoto franzino. Houve até mesmo autorização especial da direção do Inter para pegar diariamente dois litros de leite e pães nas padarias próximas ao estádio no nome do clube.

Mais forte e com uns quilos a mais, Tesourinha estava pronto para se tornar titular do Inter e ser estrela da equipe mais vencedora da história colorada: O Rolo Compressor. O Ponta Direita foi titular absoluto durante toda década de 40, sendo octacampeão gaúcho e citadino. Embora o maior artilheiro daquela (e maior artilheiro da história do Inter) tivesse sido Carlitos, a mágica do Rolo Compressor estava em Tesourinha. Dez anos antes de Garrincha brilhar no país, era a Flecha Vermelha (como era conhecido o jogador) que partia para cima dos defensores adversários com dribles. Muito antes de se tornar uma expressão natural no futebol nacional, o craque do Eucaliptos botava seus marcadores para dançar.

O Rolo Compressor

Se apesar de seu enorme talento, Falcão tinha dificuldades em ser convocado para a seleção brasileira nos anos 70 por atuar no sul do país, o que sobraria para um jogador da década de 40 a jogar no Rio Grande do Sul? Mas pois é, Tesourinha era tão superior aos seu colegas de profissão, que em 1944 ele quebrou esse preconceito e foi o primeiro colorado a ser convocado para defender o Brasil.  

Mas só ser convocado para defender o país não bastava. Tesourinha apresentou o mesmo desempenho que era comum nos Eucaliptos na seleção brasileira, se tornando o principal jogador do Brasil. O craque do Rolo Compressor foi eleito o melhor jogador da Copa América por duas vezes, em 1945 e 1949. Na última edição além de ser o craque da competição o ponta direito também foi artilheiro e campeão do campeonato.

Tesourinha (ao centro) na seleção brasileira

Craque do Inter há muitos anos, Tesourinha começou a receber a valorização que merecia no país no fim da década de 40. Em janeiro de 49, o jogador venceu um concurso que elegia o melhor jogador do Brasil. Com o prêmio o ídolo colorado recebeu um apartamento no Rio de Janeiro. Como consequência da imensa valorização no ponta, o atleta começou a receber propostas milionárias vindo de São Paulo e Rio de Janeiro. E no mesmo ano de 1949, após defender o colorado por 10 anos, o melhor jogador da história do Inter na época deixava o Eucaliptos para atuar no Vasco. 

Enfim, chegamos ao título da matéria. No ano de 1950, Tesourinha era disparado o melhor jogador brasileiro em atividade. Com 29 anos, o atleta além de contar com sua enorme qualidade técnica, já era experiente o suficiente para levar o Brasil a ser campeão mundial jogando em casa. O ex-craque colorado vivia uma expectativa muito grande para a Copa do Mundo, já que foi ”impedido” de disputar um campeonato mundial na década de 40 por conta da Segunda Guerra Mundial. Entretanto, infelizmente para todos os brasileiros (principalmente aos que estavam presente no Maracanã no dia 16 de julho de 1950) e para a sorte dos Charruas, Tesourinha sofreu uma grave lesão no Menisco e ficou de fora do Mundial.

A desilusão de não disputar a Copa do Mundo em solo brasileiro não impediu que Tesourinha continuasse brilhando em sua carreira no futebol. O craque também se tornou ídolo no Vasco da Gama, onde participou do seleto Expresso da Vitória. Sendo Campeão Carioca no ano de 1950. Até hoje o jogador é mencionado como um dos grandes pontas da história do cruz-maltino carioca.

Homenagem do Vasco para o craque feita ano passado

Osmar Fortes Barcellos sempre esteve destinado a ser um pioneiro. Se no Inter, Tesourinha foi o primeiro jogador colorado a chegar na Seleção Brasileira, o ex-craque do Rolo Compressor voltaria ao Rio Grande do Sul para quebrar outro tabu tão grandioso como foi o primeiro. Em 1952, o ponta direita foi contatado pelo Grêmio, sendo o primeiro atleta negro a defender as cores azul, preto e branco. 

O jogador defendeu o Tricolor por dois anos, marcando um pouco mais de 30 gols pelo clube. Não repetiu o mesmo sucesso que teve no Inter, mas só o fato de ter quebrado um tabu histórico e ter aberto a porta para outros atletas negros se consagrarem no Grêmio, já faz Tesourinha ser um nome gigante na história gremista.

Diferente dos tempos atuais, sua passagem no maior rival não diminuiu nenhum pouco a idolatria de Tesourinha no Inter. Em seus 10 anos que defendeu as cores vermelha e branca o jogador marcou 176 gols em incríveis 150 jogos, se tornando o 5° maior artilheiro da história do clube.

Como diz o próprio Inter em seu site oficial: Por muitos anos teve seu estilo comparado ao de Garrincha. Quem foi o melhor? Para os alvirrubros, não existem dúvidas: Tesourinha, é claro!

Tesourinha marcando um gol pelo Inter

 

 

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